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Fumaça de queimadas reduz chuvas na Amazônia

A fumaça das queimadas inibe a formação de chuvas sobre a Floresta Amazônica e cria um círculo vicioso, porque a redução de chuvas favorece a ocorrência de novos incêndios. A conclusão é de pesquisadores do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia, projeto internacional conhecido pela sigla LBA.Segundo os cientistas, quando a vegetação é queimada são liberadas grandes quantidades de fumaça rica em material orgânico particulado, que atua como um aerossol. Essas partículas se unem ao vapor d?água na atmosfera e formam grandes núcleos de condensação de nuvens. Mais nuvens, normalmente, significaria mais chuvas. Mas não nesse caso.A concentração de partículas de aerossóis é tão grande que as gotículas de nuvens nunca ficam grandes o suficiente para chover, diz o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), um dos cinco brasileiros que assinam o trabalho na revista Science.Mais queimadasO resultado pode ser uma extensão de uma a duas semanas na estação de seca na Amazônia. E a redução da precipitação, portanto, aumenta a janela para realização de queimadas. Só em 2002, o fogo foi usado para desmatar cerca de 25 mil quilômetros quadrados na Amazônia, principalmente para abertura de pastagens.A pesquisa foi realizada com dois aviões no Acre e em Rondônia, em outubro de 2002. Normalmente, explica Artaxo, a mata é derrubada entre maio e junho e deixada para secar durante três meses, para ser queimada em setembro. ?Depois que começa a chover, ninguém consegue queimar mais nada?, diz o pesquisador, que também coordena o Instituto do Milênio do LBA, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).AquecimentoPara piorar as coisas, a fumaça contém grandes quantidades de carbono grafítico, o mesmo da fuligem produzida por motores a diesel. Essas partículas absorvem a luz solar e aquecem a nuvem, favorecendo a evaporação das gotículas de água.Há também casos em que a nuvem de fumaça, por conter partículas menores e ficar por mais tempo em suspensão, é lançada a altitudes elevadas, o que favorece ainda mais a evaporação e pode afetar o clima em escala global, conclui Artaxo, que na semana passada publicou outro estudo, também na Science, desvendando o processo natural de formação de chuvas na Amazônia.

Agencia Estado,

27 de fevereiro de 2004 | 12h08

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