Fumicultores fazem lobby por aditivos

Produtores querem aproveitar visita do presidente Lula ao RS, hoje, para cobrar posição sobre proibição de produtos que dão sabor ao cigarro

Lígia Formenti / Brasília, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2010 | 00h00

Fumicultores devem aproveitar a visita de hoje do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Santa Cruz do Sul (RS) para cobrar um posicionamento rápido do País em relação à eventual proibição da adição de produtos ao fumo, como açúcar ou mentol, para deixá-lo mais palatável.

O tema será discutido na Conferência das Partes da Convenção Quadro, programada para novembro, no Uruguai ? após as eleições, portanto. A ideia do governo é prorrogar ao máximo pronunciamentos sobre o tema, para evitar desgastes tanto entre fabricantes de cigarro quanto entre setores ligados à saúde.

"Sabemos que depois das eleições nosso poder será menor. Daí o esforço para recebermos pelo menos um sinal de compromisso", disse o diretor da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Romeu Schneider.

Grupos antitabagistas querem o contrário: posição oficial, somente durante a conferência. "Ali fica mais difícil o setor produtivo fazer pressão", avalia a diretora da Aliança de Controle do Tabagismo, Paula Johns.

Um texto-base recomendando a proibição de aditivos foi feito por peritos para ser discutido no Uruguai. A minuta sugere a proibição e restrição da adição de açúcares, doces, temperos, ervas e outras substâncias. Isso ajudaria a torná-los menos atrativos, principalmente para jovens.

"Além de tornar o sabor e a fumaça menos irritantes, a adição desses produtos em alguns casos potencializa a formação da dependência e traz ainda mais danos à saúde", afirma a coordenadora da Comissão Nacional de Implementação da Convenção Quadro para Controle do Tabaco, Tânia Cavalcante. O açúcar, por exemplo, quando queimado se transforma em acetaldeído, substância neurotóxica.

Fumicultores resistem e dizem que a restrição reduziria o mercado de um tipo de fumo plantado na região, o burley, fonte de renda de 50 mil famílias.

Documentos internos de companhias de cigarro, tornados públicos após ações judiciais, mostram que até a década de 70 os cigarros eram fabricados quase sem nenhum tipo de aditivos.

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