Corentin Loron/University of Liege via REUTERS
Corentin Loron/University of Liege via REUTERS

Fungo mais antigo do mundo tem fóssil encontrado no Canadá

'Ourasphaira giraldae' viveu no estuário de um rio há cerca de 950 milhões de anos e é ancestral dos cogumelos, das leveduras e do bolor

Reuters, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 20h29

O mais antigo fungo do mundo teve seu microfóssil encontrado no nordeste do Canadá nesta semana, em uma descoberta que ajudará a esclarecer a origem da vida na Terra. Batizado de Ourasphaira giraldae, o fungo viveu no estuário de um rio há cerca de 950 milhões de anos, e é ancestral dos cogumelos, das leveduras e do bolor.

Antes dele, o mais antigo fóssil de fungo conhecido havia sido encontrado na Escócia e tinha 410 milhões de anos – menos da metade da idade do Ourasphaira. Ambos pertencem a um amplo grupo de organismos chamados eucariotes, que possuem um núcleo celular definido, e também inclui plantas e animais. O outro grupo é o procariote, que inclui as bactérias. 

Uma diferença fundamental entre plantas e fungos é que estes são incapazes de fazer fotossíntese, que usa a energia do sol para sintetizar nutrientes. Por causa da íntima relação evolucionária entre fungos e animais, os pesquisadores suspeitam que as primeiras formas de vida animal microscópica também pode ter vivido no mesmo período que o fungo Ourasphaira. Os primeiros fósseis de vida animal rudimentar são de aproximadamente 635 milhões de anos.

"Fungos são um dos grupos mais diversos de eucariotes conhecidos hoje e, apesar disso, o registro de seus fósseis é muito escasso", disse o paleobiólogo Corentin Loron, da Universidade de Liège, na Bélgica, um dos autores da pesquisa publicada na revista Nature. Os fósseis microscópicos, encontrados dentro de uma rocha de xisto, viveram na Era Proterozoica, antes do surgimento de formas de vida complexas.

Segundo Loron, o registros de fósseis dessa era "ainda são um 'quebra-cabeça' misterioso, e nós acabamos de acrescentar uma nova peça nele". Para determinar que o fóssil era de um fungo, os pesquisadores identificaram a presença de uma substância fibrosa chamada "chitin" nas paredes das células do fóssil, uma característica fundamental nesses seres vivos. O chitin também está presente em exoesqueletos de invertebrados como insetos e crustáceos.

"Claro que, quando falamos de fungos, pensamos em cogumelos venenosos ou o bolor que cresce na comida", diz Loron. "Mas fungos também são conhecidos por ajudar na produtividade do campo, para a fermantação de bebida, ou pelo seu papel no sistema digestivo – por exemplo, na ruminação das vacas – para ajudar a digerir celulose."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.