Furlan defende produção de transgênicos no Brasil

Pouco antes da primeira reunião da comissão interministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, para discutir transgênicos, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, avisou que defenderia no Palácio do Planalto o plantio desses produtos. Furlan foi o único a quebrar o silêncio cauteloso decretado pelo Planalto, antes da reunião da qual participariam outros seis ministros."A nossa posição é pragmática", justificou o ministro. "Queremos posicionar o Brasil da melhor forma no mercado mundial." Segundo Furlan, o Brasil poderia abastecer até a União Européia, um mercado fechado a produtos transgênicos, pois pode produzir tanto produtos tradicionais quanto os geneticamente modificados.Furlan afirmou que, na sua opinião pessoal, o Brasil poderia conviver com os dois tipos de produção, inclusive com a definição de portos para embarques separados dos dois produtos, para que não houvesse confusão na exportação.Em relação ao mercado doméstico, Furlan disse que também há aceitação para produtos geneticamente modificados. "Se o mercado não discrimina, não temos por que não produzir", sustentou. Ele defendeu, no entanto, uma espécie de pagamento de prêmio para os produtos tradicionais, para que não haja uma migração geral para os transgênicos."Se o mercado não paga prêmio, a tendência do produtor é se dedicar àquele produto que dá maior rentabilidade", advertiu, referindo-se aos transgênicos. O ministro também ressaltou que os únicos exportadores mundiais de soja são Estados Unidos, Argentina e Brasil. Os dois concorrentes do País já adotaram posições favoráveis à produção de transgênicos."Olhando a evolução da ciência na produção agrícola, eu diria que não dá para criar obstáculos à produção de transgênicos", insistiu Furlan. Ele fez questão de acentuar que esta é a posição do Ministério do Desenvolvimento e que uma posição homogênea de governo deveria sair da reunião no Planalto.A reunião com o presidente começou às 17h40. O porta-voz da Presidência da República, André Singer, afirmou não saber se ao término do encontro o governo conseguiria obter uma posição fechada sobre o assunto.Na pauta da reunião entre presidente Lula e os ministros estava a indenização aos agricultores que plantaram transgênicos apesar de esse cultivo ser proibido no Brasil. Este é o assunto mais emergencial porque os agricultores, principalmente gaúchos, começam a colher soja transgênica neste mês e não podem vendê-la no Brasil. Estimativas do Ministério da Agricultura indicam que a soja transgênica no Sul corresponderia a uma receita de R$ 1 bilhão.Até a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que defende precaução em relação aos transgênicos, é favorável a uma solução para esses agricultores. A comissão tem até o dia 26 para decidir também sobre a liberação comercial desses produtos ou manutenção da proibição.A bancada do Rio Grande do Sul no Congresso está fazendo forte pressão sobre o governo para resolver os problemas dos agricultores. Antes do carnaval, deputados e senadores gaúchos, dos mais diversos partidos, percorreram gabinetes de todos os ministros integrantes da comissão interministerial.

Agencia Estado,

06 de março de 2003 | 20h37

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