G8 vai pressionar os EUA a adotar metas de redução de CO2

Países ricos tentarão convencer Bush a acatar cortes mesmo sem compromissos de China e Índia

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

07 de julho de 2008 | 15h56

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai enfrentar a pressão da Europa e do Japão para que o G8, o grupo das economias mais ricas e a Rússia, aceite a adoção de metas para a redução da emissão dos gases do efeito estufa até 2020, independentemente dos compromissos das principais economias emergentes da Ásia.   Em sua chegada, no último domingo, Bush declarou-se disposto a assumir uma posição "construtiva", desde que a China e a Índia igualmente adotassem metas equivalentes. O sucesso da cúpula de Hokkaido dependerá, portanto, da resposta a ser extraída de um presidente em fim de mandato, cujo governo se vê desgastado.   O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, fez um apelo aos líderes do G8 para que assumam uma meta ambiciosa de redução de 50% das emissões até 2050 e que também acordem um objetivo de médio prazo, que diplomaticamente deixou em aberto.   Na mesa de negociações, Bruxelas pretende atrair os Estados Unidos a um compromisso semelhante ao que assumiu unilateralmente no início deste ano - o corte de 20% nas emissões de gases do efeito estufa até 2020, em comparação com os níveis de 1990. Na ocasião, os países europeus deixaram claro que concordariam em elevar esse porcentual a 30%, se os Estados Unidos e outros países desenvolvidos também aderissem aos cortes.   "Se conseguirmos alcançar um compromisso de longo prazo para reduzir em 50% as emissões de gases até 2050 e também um princípio de acordo sobre a redução em médio prazo, poderemos falar de sucesso (desta cúpula do G8)", afirmou Barroso. "Vamos trabalhar para alcançar compromissos reais nesta cúpula do G8", insistiu ele.   Em 2007, no encontro de Heiligendamm, na Alemanha, o G8 limitou-se a prometer a conclusão de um estudo sobre as decisões de corte das emissões de gases em curso no Japão, no Canadá e nos países europeus. Se Durão Barroso e os quatro líderes europeus que atuam no G8 têm o desafio de não sair desta reunião de cúpula apenas com uma carta de intenções, o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, tem uma missão ainda mais pesada. Sua administração apostou todas as fichas no sucesso da discussão da questão climática em Hokkaido, e vai insistir para que seja fechada, pelo menos, uma posição intermediária entre as resistências da China e da Índia, de um lado, e dos Estados Unidos, do outro.   Os negociadores japoneses trabalham com a expectativa de convencer a China a aderir aos compromissos que deverão ser traçados até o final de 2009 - os mesmos que entrarão em vigor em 2012 e que substituirão os termos do Protocolo de Kyoto. Os Estados Unidos, em princípio, devem seguir o mesmo caminho, uma vez que não aderiram a esse protocolo. Nos últimos anos, Tóquio adotou objetivos de redução da emissão de gases do efeito estufa e, com esta cúpula, ambiciona tornar-se uma espécie de modelo para o mundo do uso eficiente e de fontes alternativas de energia.

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