Gays usam internet para entenderem novo HIV resistente

Homossexuais têm congestionado sites com dúvidas sobre a descoberta de uma cepa mais agressiva e mais resistente do vírus da Aids. As páginas mais visitadas são as de "chat" ou de entrevistas. Todos estão atrás de informações sobre a detecção de uma variante do vírus da Aids que resiste a todos os tratamentos atuais e, pior, se desenvolve com grande rapidez.A informação que gerou a preocupação, publicada no sábado pelo jornal The New York Times, apareceu nesta segunda-feira nas seções de notícias de sites como o www.gay.com, acompanhada de fórum de discussão para os interessados em comentá-la. As primeiras reações dos internautas foram de revolta e medo, mas agora são mais numerosas as mensagens pedindo tranqüilidade para que o pânico não aumente. "Até que ponto ela é perigosa?", "Não há porque entrar em pânico, é preciso esfriar a cabeça", são comentários postados em um fórum gay na internet, no qual é recomendado, sobretudo, o uso de preservativos.Há também quem não dê importância à notícia por achar que se trata de um artifício das autoridades americanas para reforçar o mito da Aids, disseminar o medo entre os homossexuais e promover a abstinência. Embora, em geral, todos concordem que há um bom nível de informação entre os gays e que a regra é a prudência, um dos internautas afirma que todos, incluindo os mais informados, têm comportamentos perigosos em alguma ocasião.A nova cepa da Aids, identificada pelas autoridades sanitárias dos EUA como 3-DCR, foi detectada em dezembro passado em um homem de aproximadamente 40 anos que desenvolveu a doença em tempo muito menor do que normalmente acontece. "Não só encontramos mais casos de sífilis, como também, agora, identificamos esta cepa do HIV que é difícil ou impossível de tratar", declarou o diretor de Saúde Pública e Higiene Mental de Nova York, Thomas Frieden.Dando um tom mais tranqüilizador, o especialista Robert Gallo, cientista pioneiro na identificação do HIV nos anos 80 e diretor o Instituto de Virologia Humana da Universidade de Maryland, reagiu com certo ceticismo ao anúncio: "Me parece que estão fazendo muito barulho sem motivo", disse. "É provável que alguns pacientes passem mais rápido da infecção à Aids porque são altamente suscetíveis e não porque a cepa seja mais agressiva", afirmou.

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