Centro Nacional de Pesquisas em Primatas da Califórnia
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Gel anticoncepcional mostra eficácia em macacos machos

Produto é injetado no canal que leva espermatozoides à uretra, bloqueando-o; no futuro, método pode ser alternativa à vasectomia em humanos

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2017 | 23h00

Cientistas americanos testaram em 16 macacos, com sucesso, um gel anticoncepcional que poderá levar, no futuro, ao desenvolvimento de uma alternativa reversível para a vasectomia. 

A substância, batizada de Vasalgel, é injetada no canal deferente  - o duto que leva os espermatozoides do testículo à uretra - e preenche sua cavidade, formando uma barreira física. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira, 6, na revista científica Basic and Clinical Andrology.

Testada em coelhos no começo do ano passado, a técnica se mostrou eficiente e reversível - os animais conseguiram reproduzir depois da remoção do gel. O próximo passo, de acordo com os autores, é testar a reversibilidade em macacos. 

O estudo foi liderado por Catherine VandeVoort, do Centro Nacional de Pesquisa em Primatas da Califórnia, nos Estados Unidos. "Nossa pesquisa mostra que a aplicação do Vasalgel no canal deferente é um método de contracepção confiável em macacos rhesus machos adultos", disse Catherine.

Segundo a pesquisadora, a eficácia do método foi demonstrada depois que os macacos foram colocados, em temporada de reprodução, junto a fêmeas adultas reprodutivamente viáveis. "Um aspecto importante consiste em termos mostrado que o método de aplicação do Vasalgel é seguro e produziu menos complicações do que a vasectomia", afirmou Catherine.

A cientista afirma que a experiência anterior, em coelhos, mostrou que o método é realmente promissor como alternativa à vasectomia. "A pesquisa em coelhos mostrou que o produto pode ser reversível. Embora seja possível reverter uma vasectomia, o procedimento é tecnicamente desafiador e os pacientes têm taxas muito baixas de reversão da fertilidade", explicou.

Os cientistas selecionaram 16 macacos rhesus machos adultos para a cirurgia de injeção do Vasalgel no canal deferente. Os macacos foram monitorados por uma semana, durante a recuperação da cirurgia, antes de serem introduzidos de volta aos seus grupos, formados por 10 a 30 macacos, incluindo machos e fêmeas, filhotes e adultos. 

Em cada grupo foram integrados de um a três macacos que receberam o Vasalgel. Os machos foram colocados em grupo durante pelo menos uma temporada completa de reprodução, que dura cerca de seis meses. Em todo o período, nenhuma gravidez foi registrada. A taxa de gestações prevista em circunstâncias semelhantes é de 80%, segundo os autores do estudo.

Um macaco, entre os 16 que receberam o Vasalgel, apresentou sintomas de granuloma espermático - uma reação inflamatória no canal deferente, em resposta ao extravasamento de espermatozoides. Segundo eles, o granuloma espermático é uma complicação comum que ocorre em cerca de 60% dos casos de vasectomia em humanos. O desconforto e os efeitos colaterais sérios, porém, são raros após o problema. 

Segundo os cientistas, as pesquisas agora terão foco na reversibilidade da aplicação do Vasalgel em macacos rhesus, para confirmar se o método pode mesmo ser uma potencial alternativa à vasectomia em humanos.

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