Gestão Sarney Filho teve apoio das ONGs

Uma das marcas de José Sarney Filho, que deixa hoje o Ministério do Meio Ambiente, foi seu bom relacionamento com as organizações não-governamentais (ONGs), mesmo as consideradas mais radicais, como o Greenpeace, uma das primeiras entidades a lamentar sua saída do Ministério. Sarney Filho recebeu manifestações também de personalidades, como Gilberto Gil, da ONG Onda Azul. A seguir, a opinião de algumas das principais entidades ambientalistas no País sobre sua gestão:Renato Cunha - Coordenador da Rede de ONGs da Mata AtlânticaQuando Sarney Filho assumiu o MMA, disse que dali para frente teríamos realmente um ministro do Meio Ambiente, e ele cumpriu a promessa, com iniciativas interessantes e se esforçando para aprovar leis importantes como o Sistema Nacional de Recursos Hídricos, a Lei de Crimes Ambientais e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Mas faltou uma coisa. Gostaríamos que chegasse ao final da gestão com o projeto de lei de Uso e Proteção da Mata Atlântica aprovado no Congresso e sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mas o Ministro, apesar do empenho, não sensibilizou o governo. No entanto, conseguiu que a Mata Atlântica ganhasse espaço no PPG7 (Programa Piloto para Florestas Tropicais do Grupo dos 7), uma luta histórica do movimento ambientalista que se tornou realidade. Esperamos, a partir de agora, que não haja mudanças negativas na linha do Ministério, e que tenhamos, no mínimo, a continuidade do que vem ocorrendo.Marijane Lisboa, diretora executiva do Greenpeace no BrasilJosé Sarney Filho foi o melhor ministro do Meio Ambiente que o país já teve, entendia e lutava pela questões ambientais. Foi leal e fiel ao mandato que assumiu e acho que esta é uma opinião comum entre as entidades ambientalistas. Sua saída nos preocupa particularmente porque está em curso o julgamento sobre os transgênicos e o voto da relatora do processo é contrário à posição do ministro, que é a favor de estudo de impacto ambiental e licenciamento para plantação de organismos geneticamente modificados. No entanto, Sarney Filho nos afirmou que essa será sua primeira causa ao reassumir seu mandato na Câmara. Hoje, estamos ansiosos para saber se continuaremos a ter uma pessoa comprometida com o meio ambiente no MMA ou se voltará a prática de distribuir ministérios conforme interesses políticos, colocando pessoas que não entendem nada do assunto. Garo Batmanian, secretário-geral do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) no BrasilO mais importante na gestão Sarney Filho foi institucionalizar, no Ministério do Meio Ambiente, a postura de ouvir todos os lados. Hoje, todas as vezes em que vai se tomar uma decisão, ONGs, empresas e todos os interessados são ouvidos. Mesmo que não atenda todos os anseios dos ambientalistas, sabe-se que seu ponto de vista está sendo considerado.Mário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata AtlânticaSarney Filho superou todas as expectativas dos ambientalistas e teve um grande trânsito junto às organizações não-governamentais. Com isso, criou condições favoráveis até para aumentar a representatividade dos ambientalistas no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Além disso, participou de todos os eventos importantes do movimento ambientalista e conseguiu a inclusão da Mata Atlântica no Programa Piloto para Florestas Tropicais do Grupo dos Sete (PPG7). Esperamos que o próximo ministro, que terá um mandato tampão, mantenha agendadas as iniciativas em curso, continue dando respaldo ao Ibama nas ações de fiscalização e consiga, finalmente, a aprovação da Lei da Mata Atlântica.João Paulo Capobianco, coordenador do Instituto Socioambiental (ISA)Sarney Filho deixa o Ministério com um balanço positivo. Com seu respaldo, a equipe do MMA apresentou uma série de ações que devem dar bons resultados para a Amazônia e a Mata Atlântica, se tiverem seqüência. Em brigas, como a defesa do Código Florestal, teve uma postura coerente do ponto de vista ambiental, inclusive indo contra lideranças expressivas de seu próprio partido, o PFL. Embora sendo político, não colocou a política acima dos compromissos ambientais. Deixou, porém, um débito, que foi a não aprovação do Projeto de Lei da Mata Atlântica, com o qual havia se comprometido. A expectativa é que haja continuidade, daqui para frente, na implantação desse novo perfil, mais técnico e mais profissional, no Ministério do Meio Ambiente.

Agencia Estado,

04 de março de 2002 | 15h57

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