Gigante farmacêutica investe em vinho contra envelhecimento

A britânica Glaxo vai comprar empresa de biotecnologia que está desenvolvendo a tecnologia

The New York Times

24 de abril de 2008 | 17h00

Como muitas empresas farmacêuticas antigas, GlaxoSmithKline tem procurado por rejuvenescimento. Agora ela acredita que pode ter encontrado, literalmente, o elixir da juventude. Glaxo, uma fabricante de medicamentos britânica, disse na terça-feira, 22, que vai comprar uma empresa de biotecnologia norte-americana que está pesquisando a idéia que um composto encontrado no vinho tinto pode retardar o envelhecimento e permitir uma vida mais longa. A empresa vai pagar US$ 720 milhões (R$ 1,2 bilhão) em dinheiro, ou US$ 22,50 (R$ 37,6) cada ação, pela companhia, a Sirtris Pharmaceuticals. Isso representa um bônus de 84% no preço de fechamento da Sirtris na terça-feira, US$12, 23 (R$ 20,44). A Sirtris, com sede em Cambridge, Massachusetts, foi fundada em 2004, depois que Dr. David Sinclair, da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard descobriu que um ingrediente do vinho, resveratrol, fazia leveduras viverem mais. Então Sinclair, co-fundador da empresa, mostrou que o composto poderia combater os efeitos de dietas ricas em gordura em ratos e estender suas vidas.  Christoph Westphal, chefe executivo da Sirtris, disse na terça-feira, 22, que medicamentos que trabalham como o resveratrol, ativando enzimas chamadas sirtuínas, poderiam "tratar de uma maneira nova, mais natural e segura, muitas dos grande fatores que levam à morte na sociedade ocidental."  Como a Food and Drug Administration (FDA) não considera o envelhecimento uma doença em si, a Sirtris está testando seus compostos contra doenças associadas ao envelhecimento. Dois testes em estágio clínico inicial deram evidencias preliminares que a formulação do resveratrol da Sirtris poderia baixar o nível de açúcar no sangue de pessoas com diabete. A empresa espera começar, em breve, os testes do composto sintético, muito mais potente que o resveratrol. A Glaxo e outras companhias farmacêuticas têm pago altos preços por companhias de biotecnologia para reforçar suas linhas de produção de medicamentos.  Moncef Slaoui, presidente do braço de pesquisa e desenvolvimento da Glaxo, disse que a Sirtris tem "ciência potencialmente transformadora." A Sirtris vai continuar uma unidade autônoma da Glaxo, com Westphal no comando.

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