Gilney Viana cuidará da área ambiental na transição

Um dos participantes da equipe de transição de governo do PT, anunciada ontem pelo coordenador Antonio Palocci, o deputado estadual do Mato Grosso Gilney Viana será o interlocutor para as questões relacionadas ao meio ambiente. Ex-secretário da Secretaria Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT (SMAD), Viana será responsável pela análise das políticas públicas e programas não apenas das atividades ligadas ao Ministério do Meio Ambiente, mas também a questões como saneamento e a interseção da área ambiental com políticas econômicas e, especialmente, de infra-estrutura.Para cumprir seu papel, o deputado contará com o setor ambientalista do partido, com o qual esteve reunido hoje (6/11), em Brasília. Participaram da reunião a senadora Marina Silva (AC) e o governador do Acre, Jorge Viana, além da executiva nacional da SMAD, da qual fazem parte os deputados Chico Floresta e Fernando Ferro e o secretário de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, Cláudio Langone, entre outros.?Acreditamos que meio ambiente não seja mais uma variável a ser considerada, mas uma questão central nas decisões de governo e é esse conceito que pretendemos levar ao novo governo. Não dá para discutir reforma tributária ou políticas de crédito sem incorporar o lado ambiental?, disse Viana. Segundo ele, está posição deverá ser negociada com as demais áreas da equipe de transição. Outro membro da equipe de transição que deverá ajudar na incorporação da área ambiental no futuro governo é o secretário de planejamento do Acre, Gilberto Siqueira, mais ligado às questões amazônicas.Médico e professor universitário, Gilney Viana sempre esteve ligado a questões relacionadas a desenvolvimento e meio ambiente. Como deputado federal, foi relator da comissão externa da Câmara que investigou, em 1977, a atuação das madeireiras estrangeiras na Amazônia e apontou a reforma agrária, promovida pelo Incra, como principal causa do desmatamento na região. Com o resultado, o deputado sofreu ataques de todos os lados, mas o Incra acabou proibindo novos assentamentos em áreas de floresta primária.No Mato Grosso, uma de suas principais lutas foi contra a construção do Porto de Morrinhos, em Cáceres, que faz parte do projeto da hidrovia Paraguai-Paraná, embargada pela Justiça Federal. O projeto da hidrovia previa a dragagem em 92 passagens, expansão de cinco curvas, remoção de rochas ou aprofundamento do leito do rio em vários trechos, em pleno Pantanal Mato-Grossense, ecossistema considerado Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade.A causa ambiental mais recente do deputado estadual, que acaba de ser reeleito, é evitar a redução em 46% da área do Parque Estadual Cristalino, considerado o de maior biodiversidade da Amazônia. Localizado no norte do Mato Grosso, na divisa com o Pará, o parque foi criado em 1998 e ampliado em 2000. Segundo Viana, a proposta de redução foi aprovada na Assembléia em plena época eleitoral e a expectativa, agora, é que seja vetada pelo governador.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2002 | 17h14

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