Goiás divulga diagnóstico sócio ambiental integrado

Goiás é o primeiro estado brasileiro a fazer um diagnóstico sócio ambiental integrado, segundo a metodologia GEO (Global Environmental Outlook), adotada pelo Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma) como base para políticas e ações da sociedade para prevenir, evitar, corrigir e limitar os impactos negativos de atividades humanas. O diagnóstico contém uma série de mapas e dados, reunidos na publicação GeoGoiás, Estado Ambiental de Goiás 2002, que acaba de ser lançada, graças a uma parceria entre a Fundação Centro Brasileiro de Referência e Apoio Cultural (Cebrac), o Pnuma, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Goiás (Semarh) e a Agência Ambiental de Goiás. Os recursos para elaboração do diagnóstico, da ordem de US$ 150 mil, vieram da compensação ambiental pela construção de hidrelétricas, das Nações Unidas e de fundos próprios do Cebrac.?O principal resultado da avaliação ambiental integrada foi a percepção e expressão do estado crítico em que se encontra o estado de Goiás, quanto à capacidade de suportar os impactos das atividades humanas?, comenta Maurício Galinkin, do Cebrac, editor do diagnóstico. Durante o processo de levantamento dos dados, foram realizadas algumas audiências públicas, reunindo representantes dos setores produtivos, órgãos de governo (federal, estadual e municipais) e acadêmicos. ?Conseguimos estabelecer um diálogo, apesar dos diversos interesses e percepções da realidade, que possibilitou a troca efetiva de informações e alguma mudança na visão ambiental, o que foi muito positivo?.Uso do soloSegundo Galinkin, ?um dos mapas, que melhor sintetiza a situação crítica de Goiás, é o da cobertura vegetal atual, realizado pela Embrapa Monitoramento por Satélite, no qual se tem uma visão abrangente do estado, evidenciando a necessidade de desenvolver políticas públicas para a recomposição florística e a reconexão de fragmentos de cerrado nativo, que são poucos e totalmente isolados?. O mapa é a primeira quantificação detalhada do uso do solo de todo o território de Goiás, feito com base em imagens do sensor Vegetation, do satélite europeu Spot 4, combinadas com imagens do satélite norte americano Landsat 7.De acordo com a análise das imagens de satélite, Goiás abriga 20 fisionomias de paisagem diferentes, naturais e modificadas pelo homem, agrupadas em 7 categorias, assim quantificadas: agriculturas, ocupando 25,1 milhões de hectares (ha) ou 73,8% do estado; campos e cerrados, com 5 milhões de ha ou 14,7%; florestas de transição, com 1,6 milhão de ha ou 4,7%; florestas secas, com 1,4 milhão de ha ou 4,2%; vegetação ciliar, com 594 mil ha ou 1,7%; corpos d?água, naturais ou artificiais, com 160 mil ha ou 0,4% e áreas urbanizadas, ocupando 104 mil ha ou 0,3% do território goiano.É importante lembrar, que Goiás está no centro do bioma cerrado, correspondendo a 17% dos seus 2 milhões de quilômetros quadrados. O cerrado foi incluído entre os 25 hotspots de biodiversidade do mundo, ou seja, está entre as áreas mais representativas e, ao mesmo tempo, mais ameaçadas do planeta. A falta de planejamento e sustentabilidade das atividades humanas, ali, coloca em risco mais de 10 mil espécies de plantas nativas (1,5% da flora mundial) e pelo menos 1.200 espécies de aves, mamíferos, anfíbios e répteis.ErosãoO GeoGoiás ainda indica áreas onde os impactos humanos tem gerado processos mais negativos, com necessidade urgente de intervenção. É o caso, por exemplo, dos processos de erosão laminar e por sulcos, verificados sobretudo nas regiões oeste e sudoeste do estado, em especial nas nascentes dos rios Araguaia e Paranaíba. Conforme o diagnóstico, embora 47% dos solos goianos tenham aptidão boa ou regular para a agricultura - incluindo a agricultura industrial de larga escala, que já ocupa mais de 4 milhões de hectares - outros 48% do território são constituídos de solos altamente suscetíveis à degradação por erosão.Nas nascentes do Araguaia, nos últimos 30 anos, o desmatamento intensivo de mais de 150 mil hectares para o plantio de soja multiplicou as voçorocas ativas, de médio e grande porte, que passaram de 12 para 90. Destas imensas frentes de erosão derivam processos de eutrofização de vários cursos d?água e lagos; assoreamento dos afluentes e do próprio leito do Araguaia e, em alguns casos, até o bloqueio de ribeirões, com o conseqüente afogamento da vegetação ciliar. Outros tipos de erosão também preocupam, sobretudo nas áreas de exploração de minérios e pedras ornamentais - como nos municípios de Catalão, Pirenópolis e Santa Teresinha ? e em pólos turísticos com visitação intensa como Caldas Novas, Chapada dos Veadeiros, Lagoa Santa, Serra Dourada e Cidade de Goiás.O GeoGoiás será enviado a todos os formuladores de políticas realcionadas ao estado, incluindo os 242 prefeitos de municípios goianos, senadores e deputados (estaduais e federais), secretários de meio ambiente e representantes do Conselho Nacional do Meio Ambiente. A partir do final de setembro, os dados e análises também estarão disponíveis no site do Cebrac (www.fcebrac.org.br). clique na imagem para ampliar

Agencia Estado,

16 de setembro de 2003 | 09h44

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