Governo Bush se recusa a restringir emissões de CO2

Sob pressão da Casa Branca, EPA muda relatório e adia decisão sobre clima para o próximo governo

AP

11 de julho de 2008 | 16h55

A administração Bush rejeitou nesta sexta-feira, 11, a regulação de gases estufa culpados pelo aquecimento global, dizendo que a medida causaria muitas perdas de emprego.  No relatório federal de 588 páginas, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) não fez revelações sobre a influência do aquecimento global na saúde pública, revertendo, sob pressão da Casa Branca, uma conclusão anterior e oficialmente adiando qualquer decisão para o próximo governo, em 2009. A Casa Branca rejeitou na quinta-feira, 10, a conclusão emitida pela EPA há três semanas, de que o Clean Air Act, de 1970, "pode ser adequado para enfrentar as demandas do aquecimento global." Ao invés disso, a EPA disse nesta sexta-feira, 11, que a lei não está adequada para lidar com a mudança climática.  Isso contrasta com o tom das declarações de George W. Bush na reunião do G8 em Hokkaido, Japão. Os Estados Unidos se juntaram aos parceiros no comprometimento de redução dos níveis de emissão em 50% até 2050. Em um grande retrocesso para a administração, a Suprema Corte decidiu no ano passado que o governo tem a autoridade, sob o Clean Air Act, de tratar os gases estufa como poluentes e limitá-los de acordo. Bush se opôs a essa opção. Os que apóiam a imposição de controles sobre os gases estufa conseguiram apenas 38 votos dos 100 no Senado mês passado. A Câmara já teve diversas reuniões sobre o problema, mas nenhuma votação em qualquer lei desse tipo. Os dois principais candidatos à presidência, John McCain e Barack Obama, aprovaram variações da tentativa rejeitada pelo Senado.  Em seu volumoso documento, a EPA deu diversas opções de modos de redução da emissão de gases estufa em carros, navios, trens, fábricas e refinarias.  "Um ponto está claro: o potencial de se regular os gases estufa sob qualquer porção do Clean Air Act poderia resultar em uma expansão sem precedentes da autoridade da EPA que teria um efeito profundo em todos os setores da economia e chegaria a todas as casas da América", disse o administrador da EPA, Stephen Johnson, em prefácio ao relatório de 588 páginas.  A EPA disse que encontrou resistência dos departamentos de Agricultura, Comércio, Energia e Transporte, assim como da Casa Branca, que tornou "impossível" a aplicação da decisão da Corte. "Nossas agências têm preocupações sérias com essa sugestão pois ela não reconhece as enormes dificuldades e custos e prováveis pequenos benefícios do uso do Clean Air Act" para regular as emissões de gases estufa, disseram as secretarias das quatro agências na quarta-feira, 9.  A ação desta sexta-feira, 11, marca o ápice de meses de tensas negociações entre os cientistas da EPA e a Casa Branca sobre como agir com relação ao aquecimento global, sob a lei federal de controle da poluição.  O documento desta sexta é muito mais cauteloso que a determinação feita em dezembro pela agência, que disse que a mudança climática colocava em perigo a saúde e o bem estar. Ele também parece ter revertido algumas conclusões presentes em versões preliminares do texto. "A abordagem da EPA foi completamente desconsiderada pela Casa Branca, que só pretende adiar qualquer decisão quanto ao Clean Air Act", disse Frank O'Donnell, presidente do Clean Air Watch, grupo ambientalista. "Parece que a administração Bush está tentando ignorar a Suprema Corte."

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