Governo esboça plano para proteger Amazônia

Alarmado com o aumento do ritmo de devastação da Amazônia, o governo produziu um diagnóstico das causas do desmatamento. Os vilões são velhos conhecidos, como a pecuária, a expansão da soja mecanizada, a extração ilegal de madeira, a abertura de estradas, os assentamentos da reforma agrária e a grilagem de terras. O diagnóstico foi preparado por técnicos de 12 ministérios e servirá de base para uma meta ambiciosa: substituir as tradicionais ações pontuais de fiscalização e preservação por um programa integrado que envolva todas as esferas do governo. A lógica é simples, ainda que de difícil execução: compatibilizar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.Somente no período de agosto de 2001 a agosto de 2002, foram destruídos 25,5 mil quilômetros quadrados de floresta, o equivalente a uma área maior do que o Estado de Sergipe. Esse dado só é menor que o registrado em 1995, quando a devastação chegou a 29 mil quilômetros quadrados. Segundo o estudo, que ficou pronto em outubro, a pecuária é responsável por cerca de 80% de toda a área desmatada - sendo os grandes e médios pecuaristas os principais agentes da devastação. O mais grave é que cerca de 25% desse total estão abandonados ou sub-utilizados, após terem sido destruídos e explorados por determinado período. Segundo o relatório, em Mato Grosso há entre 12 e 15 milhões de hectares abandonados. "Este desperdício torna-se mais grave quando se considera que as novas áreas continuam sendo desflorestadas para a expansão de atividades agropecuárias, sem a utilização adequada de grande parte das áreas já abertas", diz o relatório.

Agencia Estado,

30 de dezembro de 2003 | 19h53

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