Governo estuda criação de reservas de araucárias

O Ministério do Meio Ambiente deverá criar pelo menos duas unidades de conservação federais em Santa Catarina, ainda este ano, para preservar as matas de araucária (floresta ombrófila mista), uma das formações mais ameaçadas do País. Parte do bioma Mata Atlântica, esse ecossistema conta atualmente com menos de 5% de sua área original, com remanescentes extremamente fragmentados e pressionados pela atividade madeireira.A criação de áreas de preservação foi a principal recomendação do grupo de trabalho, criado pelo MMA no início do ano, com o objetivo de propor medidas de preservação e recuperação da ombrófila mista em Santa Catarina, estado que contava com 40.807 Km2 de matas de araucária (cerca de 42,5% da sua vegetação original). ?Fizemos um levantamento de onde estão e qual a situação dos remanescentes. A conclusão é que a floresta ombrófila mista está no fim e, se não forem criadas agora uma série de unidades de preservação, corre-se um grande risco de perder esse ecossistema?, disse Miriam Prochnow, do Núcleo Assessor de Planejamento da Mata Atlântica do MMA. Segundo a coordenadora do estudo, são evidentes os reflexos da exploração madeireira excessiva das espécies arbóreas. ?A fisionomia florestal predominante foi substituída, em sua maior parte, pelas pastagens e reflorestamentos homogêneos com espécies exóticas. Os raros remanescentes florestais nativos, que hoje perfazem entre 1 a 2% da área original, são de dimensões reduzidas, encontram-se isolados e com evidentes alterações estruturais?, diz. /DivulgaçãoMatas de araucária: atualmente existem poucas unidades de conservação para preservar esse ecossistemaO grupo de trabalho, formado ainda por representantes do Ibama, Universidade Federal de Santa Catarina, governo do Estado e entidades ambientalistas, detectou quatro regiões prioritárias para intervenção, onde estão os principais fragmentos: o noroeste do Estado, na divisa com o Paraná, o entorno da Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) da Serra da Abelha, a região do Parque Nacional São Joaquim e a área de divisa com o Rio Grande do Sul, às margens do rio Uruguai.Segundo o relatório entregue ao ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, é urgente a criação de pelo menos duas estações ecológicas na região noroeste, ligadas por uma Área de Proteção Ambiental (APA), que criaria um corredor ecológico entre elas. Além disso, propõe a criação de um parque nacional na região da Serra da Abelha e a ampliação do Parque Nacional São Joaquim. ?Este é o único parque nacional do Estado e nunca foi regularizado, por conta de conflitos fundiários. Nossa proposta é retirar do parque a área de conflito e anexar outras áreas do outro lado, ampliando o território da unidade?, explica Miriam.O grupo indica ainda a urgência de se fazer um zoneamento do plantio de espécies exóticas, como pinus sp e eucalipto, para que não sejam plantadas no entorno de fragmentos de araucária com mais de 100 hectares (ha). Outra medida sugerida é a criação de um programa de estímulo à criação de unidades de conservação municipais, praticamente inexistentes na maior parte dos municípios, e de Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs), principalmente na divisa com o Rio Grande do Sul.?Embora o pinheiro brasileiro (Aracuaria angustifolia) seja a árvore de maior ocorrência e símbolo da floresta ombrófila mista, existem muitas outras espécies do ecossistema também ameaçadas de extinção, como a canela sassafrás, canela preta e imbuia, além de outras raras ou endêmicas, que também precisam ser conservadas, como a canela-amarela ou a carne-de-vaca?, diz Miram. A redução das araucárias tem tornado raras também espécies da fauna, como a gralha azul, o macuco ou o papagaio charão.A mata de araucária cobria, originalmente, cerca de 185.000 Km2, dos estados do Sul do Brasil, concentrada nos estados do Paraná (37% do Estado), Santa Catarina (31%) e Rio Grande do Sul (25%). Caracterizado pela bela paisagem das copas dos pinheiros, essa formação conta atualmente com apenas 410 Km2 parcialmente protegidos, ou seja, 0,22% da área original. Calcula-se que, da década de 30 até hoje, cerca de 100 milhões de pinheiros brasileiros foram derrubados. Regiões de grande importância para a criação de Unidades de Conservação e corredores ecológicos, interligando os principais fragmentos.

Agencia Estado,

04 de novembro de 2002 | 13h24

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