Governo patrocina pesquisa do clima da Antártida

As variações climáticas na Antártida serão alvo de pesquisas patrocinadas pelos ministérios do Meio Ambiente e o da Ciência e Tecnologia, em parceria com a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Os estudos deverão abordar o efeito estufa, aquecimento global, aumento do nível do mar e o buraco na camada de ozônio.O governo deverá lançar edital, no próximo mês, para selecionar os cientistas que participarão do projeto na ilha Rei George, onde funciona a Estação Antártica Brasileira "Comandante Ferraz". Os impactos ambientais do clima da Antártida sobre o Brasil e o mundo são pouco conhecidos. Não se sabe, por exemplo, até que ponto o continente influencia o fenômeno El Niño, que altera o sistema de chuvas.O cientista do Programa Antártico Brasileiro, Jefferson Cardia Simões, informa que 90% das geleiras existentes no mundo estão concentradas na Antártida. No continente têm ocorrido processos rápidos de mudanças ambientais. Um exemplo é a perda de mais de 15 mil quilômetros quadrados de geleiras periféricas, nos últimos 10 anos. O gelo na ilha Rei George se reduziu em 7%, ao longo de 40 anos, fato interpretado por Simões como um sinal adiantado de mudanças climáticas na região. O Brasil é o sétimo país mais próximo do continente gelado. "O Porto de Rio Grande está mais próximo da estação Comandante Ferraz do que de Roraima", compara o cientista, explicando uma das razões pelas quais é fundamental estudar a região. A massa de gelo é tão volumosa que interfere na circulação atmosférica e oceânica. "Uma corrente mais forte ou mais fraca afeta as condições climáticas na costa sul brasileira", acrescenta o pesquisador.Um dos focos das pesquisas será o reflexo do aquecimento global sobre a Antártida. O aumento da temperatura implica derretimento de gelo no continente. E quais serão as conseqüências para o Brasil? Para o cientista Simões, nenhuma cidade brasileira irá afundar com o aumento do nível do mar até o final deste século, previsto pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas para Mudanças Climáticas. Mas as ressacas ficarão mais constantes, as calçadas nas praias serão atingidas e a estrutura portuária, destruída, prevê.Outra questão a ser analisada é o buraco na camada de ozônio. Os pesquisadores deverão avaliar a possibilidade de esse buraco progredir, aumentando a radiação ultravioleta e atingindo o território brasileiro. Segundo o cientista Simões, os casos de câncer em seres humanos poderão crescer, além da ocorrência de mutações genéticas dos microorganismos e um novo desequilíbrio ecológico.

Agencia Estado,

28 de março de 2002 | 18h21

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