Governo russo aprova adesão ao Protocolo de Kyoto

O governo russo aprovou nesta quinta-feira a adesão do país ao Protocolo de Kyoto, dando o primeiro passo concreto para fazer vigorar o tratado internacional pela redução de gases poluentes causadores do aquecimento global. A decisão, entretanto, ainda tem de ser aprovada pelo parlamento russo, onde deve encontrar grande resistência.A discussão pelos parlamentares está prevista para o início de 2005. Se a adesão efetiva for aprovada também no parlamento russo, o Protocolo de Kyoto entrará em vigor 90 dias depois. Mas o primeiro-ministro Mikhail Fradkov, em viagem à Holanda, comentou que haverá um ?debate difícil? quando o tema chegar ali.Mesmo entre os membros do governo houve vozes discordantes. Andrei Illarionov, um influente assessor econômico do presidente Vladimir Putin, disse ao fim da reunião do gabinete que a decisão foi ?forçada?. Illarionov é um maiores críticos do Protocolo de Kyoto. ?Não é uma decisão que estejamos tomando com prazer.?Indústria é contraA resistência vem principalmente do setor industrial e petrolífero da Rússia. O primeiro, porque teria de regular e reduzir as emissões de gases poluentes, o que significa muitas vezes reduzir a atividade industrial. Para não ter de reduzir a produção, a alternativa seria financiar projetos de reflorestamento e geração de energia não poluente, no chamado mercado de créditos de carbono.Já o setor petrolífero, teria algum impacto na produção e poderia ser afetado pela redução de consumo de combustíveis, um dos principais fatores de emissão de gases causadores do efeito estufa.A Rússia é responsável por cerca de 17,4% das emissões no mundo. Desde 1990, houve uma redução de 32% no volume de gases lançados na atmosfera, em parte devido ao colapso da economia logo após a queda do regime soviético. Mas nos últimos anos houve uma retomada da produção industrial e, conseqüentemente, as emissões começaram a crescer.Voto decisivoA decisão da Rússia será fundamental para que o Protocolo de Kyoto entre em vigor, e por isso o desfecho no parlamento pode ser considerado o voto decisivo pela adoção ? ou não ? de regras internacionais com vistas a conter o aquecimento global. Aprovado em 1997, o tratado estabelece que os países signatários são responsáveis por reduzir o volume de emissões de gases até atingir 5,2% abaixo dos níveis que eram registrados em 1990. O prazo para atingir esta meta é o ano de 2012.Mas o protocolo só entra em vigor se for ratificado por países responsáveis, juntos, por pelo menos 55% das emissões registradas em 1990. Como os Estados Unidos, na administração George W.Bush, optaram em 2001 pela não-ratificação, o índice de 55% não foi alcançado. Os EUA são os maiores emissores de gases, respondendo por 36,1% do total mundial.A Rússia, o terceiro maior emissor - depois da China, que atingiu a casa dos 18% das emissões globais -, seria o único país capaz de se juntar aos 125 países que já ratificaram o protocolo fazendo atingir o índice mínimo.Por esta razão, aliás, o governo russo vinha há anos acenando com posições contraditórias, para obter vantagens políticas e econômicas junto aos EUA ? que boicotam o tratado ? e junto à União Européia ? que quer implementá-lo o quanto antes.Nota do editor: Este texto foi alterado em 01/10/04 para incluir dados relativos às emissões da China.

Agencia Estado,

30 de setembro de 2004 | 10h23

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