Governo tenta resolver problema de espuma em Pirapora

Para tentar amenizar o problema causado pela densa espuma de poluição que atinge o Rio Tietê em Pirapora do Bom Jesus, a 54 quilômetros de São Paulo, o governo do Estado vai tomar duas medidas imediatas ? a redução da vazão da água da barragem de Pirapora nos períodos de maior volume de espuma, durante a madrugada e a manhã, e o envio de caminhões-pipa para reforçar o equipamento da cidade. Os caminhões-pipa ficam sobre as pontes da cidade, de onde jogam água para combater a espuma.Também foi anunciado que, em 11 meses, serão liberados R$ 3 milhões para a construção da estação de coleta e tratamento de esgoto de Pirapora. As medidas foram anunciadas ontem pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que foi à cidade conferir os danos causados pela espuma que chegou a atingir quatro metros de altura, encobrindo a ponte da cidade. A poluição também tem causado problemas respiratórios na população. Depois de pronta, a estação fornecerá água para os aspersores ? os chuveirinhos ? que ajudam a diluir a espuma sobre o rio.Para o governador, ao ameaçar punir o Estado, o Ministério Público não dá espaço para que se encontre uma solução para a água do Rio Pinheiros, fonte da poluição que afeta Pirapora. ?O MP nos pune porque tem espuma (em Pirapora), mas não nos deixa bombear a água do Pinheiro para a Represa Billings?, disse o Alckmin. ?Li nos jornais que a Justiça proibiu os testes. Não nos deixam sequer testar o sistema.? Segundo o governador, com os testes pode ser encontrada uma solução econômica para tratar o esgoto, não poluir a Billings, resolver o problema da espuma e Pirapora, gerar energia elétrica e ainda levar água doce para Cubatão?.O secretário dos Recursos Hídricos e Energia, Mauro Arce, disse que as medidas são paliativas, já que a solução é combater a poluição e o lançamento de esgoto no Rio Pinheiros. O projeto Tietê 2, orçado em US$ 400 milhões, prevê a coleta de 84% do esgoto lançado no Tietê em três anos e vai colaborar com a solução do problema. Até isso se concretizar, Arce pediu a colaboração da sociedade e prefeitos das cidades onde não há tratamento de esgoto. Multa - A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderá ser multada em R$ 100 mil por dia toda vez que as espumas provocadas pela poluição do Rio Tietê atinjam ruas, pontes e praças em Pirapora. A punição consta da liminar concedida ontem pela juíza Maria Elizabeth Bortoloto, da 3.ª Vara de Barueri, à ação civil pública impetrada, pelo promotor de Justiça e Meio Ambiente Marcos Mendes Lyra. A juíza determinou que a Sabesp opere aspersores para combater a espuma. Na ação civil pública, Lyra reivindica, do Estado, o ressarcimento, pelos prejuízos à saúde e pela queda de arrecadação provocados ação tóxica do gás sulfídrico, presente na espuma. Ele quer que o governo promova programa de atendimento à saúde pública no valor de R$ 80.956,20 por mês até que a poluição do ar cesse. O governo deve recorrer.

Agencia Estado,

04 de julho de 2003 | 20h26

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