Grã-Bretanha rejeita proibição a pesquisas com embriões híbridos

Emenda banindo prática foi rejeitada; votação provocou intenso debate no Parlamento.

Da BBC Brasil, BBC

19 de maio de 2008 | 18h50

Os membros da Câmara Baixa do Parlamento britânico rejeitaram nesta segunda-feira uma proposta que pretendia proibir a realização de pesquisas com embriões híbridos, formados a partir da fusão de estruturas humanas e de origem animal.A emenda analisada pela Câmara dos Comuns recebeu 336 votos contra e 176 a favor e provocou um intenso debate.De um lado, a ministra-adjunta britânica de Saúde, Dawn Primarolo, disse que pesquisas com esses embriões podem levar a avanços no tratamento de doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer.Do outro, parlamentares contrários a esse tipo de pesquisa disseram que a prática coloca em risco a dignidade da vida humana.A criação dos embriões híbridos havia sido autorizada pela Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA, na sigla em inglês) da Grã-Bretanha em setembro de 2007.A lei confirmada pelos parlamentares nesta segunda-feira autoriza e regula as pesquisas em embriões formados a partir de óvulos animais nos quais foram inseridos núcleos de células humanas.Esses embriões poderão ser mantidos em laboratório por 14 dias, durante os quais será permitido extrair as chamadas células-tronco - que têm o potencial de se transformar em células de qualquer tecido.Atualização das leisPrimarolo ressaltou que, para que seja realizada qualquer tipo de pesquisa com os embriões em questão, os interessados precisarão convencer a HFEA de que a pesquisa é "necessária ou desejável" e garantiu que nenhum embrião será implantado no útero de uma mulher ou animal.Mas o parlamentar de oposição Edward Leigh, que apresentou a emenda contra a proposta, disse que não acreditar que a regulamentação desse tipo de pesquisa é suficiente. "Nos embriões, temos a configuração genética completa de um ser humano e não podemos, nem devemos, fundi-la com a de um animal", afirmou Leigh. A votação foi a primeira de uma série prevista nesta semana em que parlamentares vão decidir aspectos-chave relacionados à produção de embriões e à reprodução humana.O Parlamento britânico está atualizando um conjunto de leis aprovado em 1990, passando a considerar os mais recentes avanços da ciência.Ainda nesta segunda-feira, parlamentares deveriam se pronunciar sobre o desenvolvimento de embriões geneticamente selecionados para produzir tecidos saudáveis compatíveis com irmãs e irmãos que sofrem de algum tipo de mal genético que poderia ser amenizado com transplantes.Na terça-feira, será debatida uma proposta acaba com a necessidade de que crianças nascidas em tratamentos de fertilidade tenham um pai - uma proposta que poderia facilitar o caminho para casais de lésbicas e mulheres solteiras terem um filho.Um outro projeto que será colocado em votação diminui o prazo limite atual de 24 semanas para a realização de abortos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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