Greenpeace acusa Syngenta por patentear transgênico

A organização não-governamental Greenpeace acusou nesta terça-feira a multinacional Syngenta de tentar tirar proveito comercial de uma variedade de arroz transgênico. Em comunicado, a ONG diz que a companhia desenvolveu o arroz, denominado Golden Rice, assegurando que o projeto teria apenas fins humanitários e não financeiros.Segundo a Greenpeace, a empresa agora apresentou requerimento para patentear o arroz em mais de cem países, entre os quais figuram vários em vias de desenvolvimento, como Índia, China, Filipinas além de dezesseis outros na África.De acordo com a organização civil, a empresa suíça havia assegurado que essa variedade de arroz permitiria curar a cegueira e erradicar a desnutrição no mundo. Para isso, inclusive, havia anunciado sua intenção de distribuir sementes gratuitamente nos países pobres. No entanto, para a Greenpeace, a idéia da Syngenta de patentear o produto mostra que suas "intenções de fato são de tirar proveito dos agricultores".O arroz desenvolvido nos últimos cinco anos pela empresa suíça, uma das líderes mundiais do setor de agroquímica, é reforçado com vitamida A, o que possibilitaria seu efeito benéfico nos casos de deficiência visual. Essa propriedade tem sido questionada por experts da Greenpeace. Eles sustentam que para uma criança ter sanada suas necessidades de vitamina A, ela deveria consumir três quilos diários deste tipo de arroz.Grupos de ecologistas já protestaram há quatro anos na frente da sede da Syngenta, na Basiléia, norte da Suíça, por este mesmo tema. Eles denunciaram que a empresa utilizava pobres e enfermos como pretexto para aumentar a aceitação popular da engenharia genética.Especialistas da área defendem que a patente é um empecilho para o desenvolvimento de novas técnicas, pois impedem o plantio e o conseqüente estudo de transgênicos de arroz.

Agencia Estado,

26 de abril de 2005 | 16h03

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