Greenpeace analisa resíduos tóxicos na poeira de residências

Sessenta casas, entre mais de 300 inscritas, receberão a visita do Greenpeace, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul até o próximo dia 4 de dezembro. Os ambientalistas iniciaram, hoje, a coleta de amostras de poeira para enviar ao laboratório holandês TNO, um dos poucos capacitados para análise de substâncias químicas perigosas, liberadas por aparelhos eletrodomésticos, plásticos, tintas ou produtos de higiene e limpeza. A campanha, chamada Veneno Doméstico, tem como objetivo chamar a atenção da população para o potencial de contaminação por substâncias tóxicas, dentro de suas próprias casas. Na Europa, o Greenpeace realizou coleta semelhante em residências do Reino Unido, França, Espanha, Dinamarca, Suécia e Finlândia. A análise do material revelou quantidades significativas de substâncias conhecidas como alcalino fenóis, que são disruptores de hormônios e estão presentes em alguns produtos de higiene pessoal e cosméticos. Também foram detectados os ftalatos, que afetam o sistema reprodutivo, reduzindo a produção de esperma, e derivam dos objetos feitos com PVC maleável, como brinquedos e cabos ou de tintas. Ainda apareceram substâncias classificadas como parafinas cloradas, presentes em tintas, plásticos e borrachas e capazes de afetar o sistema imunológico, além de ser potencialmente cancerígenas. E compostos orgânicos à base de cobre, que servem como estabilizadores de plásticos e PVC e entram na composição de produtos usados em tapetes e estofados, contra mofo. Tais compostos afetam, igualmente, o sistema imunológico."Queremos que alguns princípios e diretrizes sejam incorporados na futura política nacional de segurança química, em discussão? diz John Butcher, coordenador da Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace. "Somente com uma legislação rígida, aliada a programas de incentivo, mais a aplicação de mecanismos de fiscalização, será possível evitar que estejamos expostos a substâncias tóxicas diariamente".Para ele, a nova política deve banir as substâncias tóxicas, substituindo-as por alternativas não tóxicas; incorporar Princípio da Precaução (na dúvida sobre o risco, a substância não deve ser usada) e o conceito do Direito à Informação (todos têm o direito de saber o que contêm realmente o produto consumido e os riscos que oferece). O Greenpeace também pretende agilizar a apreciação da Convenção de Estocolmo pelo Senado, com expectativa de que a ratificação aconteça ainda este ano, uma vez que já foi aprovada na Câmara. Trata-se de um acordo internacional de banimento de 12 substâncias tóxicas altamente persistentes, conhecidas como os "12 sujos". A ratificação implica em transformar o texto da convenção em lei brasileira. ?Os 12 sujos não são as mesmas substâncias encontradas nas casas, mas a ratificação da convenção abre caminho para aumentar a lista de produtos a serem banidos?, acrescenta Butcher. A entidade ambientalista lidera, nesta semana uma ciberação, solicitando aos internautas o envio de mensagens a diversos senadores, com pedidos de apreciação do texto da convenção (www.greenpeace.org.br/venenodomestico)."Consuming chemicals: Hazardous chemicals in house dust as an indicator of chemical exposure in the home" (versão em português do sumário executivo) - www.greenpeace.org.br/venenodomestico/pdf/sumario_executivo.pdf

Agencia Estado,

13 de novembro de 2003 | 18h58

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