Greenpeace cobra solução para Bhopal

Uma exposição relâmpago, com painéis de fotos do acidente de Bhopal, na Índia, e um imenso painel, apontando para a sede da empresa Dow Chemical, em São Paulo, com os dizeres ?Bhopal ? Crime Corporativo? marcaram a versão brasileira da Campanha Internacional por Justiça em Bhopal, realizada, hoje de manhã pelo Greenpeace. O objetivo da manifestação era cobrar da Dow Chemical a descontaminação do local onde ocorreu o pior acidente ambiental industrial da história, há 18 anos. Os ativistas foram recebidos pelo diretor de Relações Corporativas da empresa, Luiz Dutra, e entregaram uma carta, endereçada ao presidente da Dow. ?Dificilmente a Dow se manifesta, mas desta vez fomos recebidos e entregamos nossa carta com as demandas?, conta John Butcher, coordenador da campanha de substâncias tóxicas do Greenpeace Brasil. A par de cobrar soluções específicas, os ambientalistas querem chamar a atenção para todos os crimes corporativos, fazendo de Bhopal um exemplo.O acidente com a substância tóxica isocianato de metila ocorreu na madrugada do dia 3 de dezembro de 1984, devido à explosão de um tanque da fábrica de fertilizantes da Union Carbide, empresa adquirida pela Dow Chemical em fevereiro de 2001. Cerca de 20 mil pessoas morreram em conseqüência do acidente e 150 mil tiveram sua saúde afetada, de acordo com os ambientalistas. A área da antiga fábrica permanece contaminada, afetando a população das proximidades. Mesmo os filhos de sobreviventes, nascidos após o acidente necessitam de acompanhamento médico contínuo.Um levantamento feito por pesquisadores ligados ao Greenpeace, indicou a presença de numerosos compostos tóxicos no resíduo industrial de Bhopal, incluindo Sevin, o pesticida fabricado pela Union Carbide, e BHC, um dos poluentes orgânicos persistentes (POPs) listados para banimento, na Convenção de Estocolmo. O BHC causa danos ao sistema nervoso, fígado e rins, além de ser teratogênico (passa ao feto durante a gravidez). Protestos semelhantes vem acontecendo desde o último aniversário do acidente, em vários países da Europa, Américas e Índia, onde a Dow Chemical tem fábricas ou escritórios. Na Holanda, neste dia 7 de janeiro, o Greenpeace devolveu parte do material contaminado à Dow Benelux. Na Argentina, uma exposição de fotos do indiano Raghu Rai mostra cenas da época do acidente e atuais. A mesma exposição será montada pelo Greenpeace em Porto Alegre, durante o Fórum Social Mundial, de 23 a 27 de janeiro, seguindo, em fevereiro, para São Paulo.

Agencia Estado,

16 de janeiro de 2003 | 17h50

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