Greenpeace denuncia fraude em exportação de mogno

O Greenpeace enviou a autoridades brasileiras cópias de documentos falsificados que comprovariam a exportação de mogno - como se fosse cedro - para a Espanha, por uma empresa paraense. O coordenador de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Júlio Silva de Oliveira, acionará a Interpol assim que receber oficialmente a papelada. A Receita Federal também receberá a documentação que, na opinião do coordenador da Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, comprova suspeita antiga de que madeireiros estariam contrabandeando mogno ?disfarçado? como outra espécie. "Só não tínhamos provas", disse. Adário conta que a entidade conseguiu cópias de duas faturas clonadas emitidas por uma empresa paraense, com data de novembro de 2000, mencionando o embarque no porto de Belém de quatro contêineres com destino ao porto de Valência, na Espanha. Uma discriminava o carregamento de mogno, outra, a de cedro, no mesmo volume, mas com preços diferentes. Para Adário, a confirmação da fraude consta da carta enviada pelo proprietário da empresa do Pará: "Ressaltamos ainda que, por motivos internos de nosso País, embarcamos o mogno como cedro - KD." Adário considera isso "uma confissão inacreditável" e pede que a fiscalização nos portos brasileiros, realizada por amostragem, seja permanente. Ele alerta ainda que o mogno serrado pode ser confundido com cedro, louro vermelho e muiracatiara e, portanto, é necessária a contratação de especialistas ou o treinamento dos fiscais para identificar a madeira. "É impossível fiscalizar todos os lotes de madeira, devido ao enorme volume embarcado nos navios", esclareceu o diretor do Ibama, por meio de uma nota à imprensa. Ele garante, no entanto, que a fiscalização é diária nos portos de Belém e Paranaguá e que, freqüentemente, ocorrem operações-surpresa. Oliveria anunciou que, na próxima semana, o Ibama e Polícia Rodoviária Federal montarão barreiras nas rodovias que ligam São Paulo a Curitiba e Curitiba a Paranaguá para reforçar ainda mais a fiscalização.

Agencia Estado,

14 de junho de 2002 | 19h49

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