Greenpeace e SOS Mata Atlântica se unem contra Angra 3

O Greenpeace e a Fundação SOS Mata Atlântica resolveram juntar suas capacidades de mobilização e, pela primeira vez, fazem uma campanha conjunta, contra a construção da usina nuclear Angra 3. Equipes de voluntários das duas organizações não-governamentais já estão coletando adesões a um abaixo-assinado, que pede que a usina não seja construída. O ponto alto da campanha, porém, será durante a semana de 4 a 10 de agosto, quando estão programadas ações junto ao Ministério Público, ao Congresso Nacional, aos governos de outros países envolvidos na questão e às instituições financeiras nacionais e internacionais. Essa semana foi escolhida por marcar as explosões de bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Além disso, será realizado um seminário sobre energias renováveis, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, reunindo ongs de todo o Brasil. ?Vamos convidar estas entidades para também manifestarem publicamente seu repúdio à idéia de mais uma usina nuclear no País. Quando acredita-se que o Ministério de Minas e Energia iria seguir a tendência mundial de abandonar a energia nuclear, privilegiando as energias renováveis limpas (solar, eólica e de biomassa), surge a notícia da retrógrada opção por essa energia insegura, suja, cara e ultrapassada?, disse Sérgio Dialetachi, diretor de campanha do Greenpeace.Segundo Mário Mantovani, diretor da SOS Mata Atlântica, o objetivo da campanha é preservar a Mata Atlântica e a vida em Angra dos Reis. ?O governo está sem dinheiro e quer retomar o crescimento, portanto deveria investir na verdadeira vocação do local, uma das mais lindas áreas de Mata Atlântica, que é o turismo. Já chega a destruição provocada pela ocupação irregular?, disse.Primeira parceria formal das duas entidades, o abaixo-assinado estará sendo enviado para os associados de ambas as instituições e está disponível para ?download? nos respectivos sites na internet, para quem quiser participar da campanha. Os ambientalistas esperam conseguir, até o fim de agosto, pelo menos 50 mil assinaturas.Dialetachi lembra, ainda, que a origem do Greenpeace foi a luta contra os testes nucleares realizados pelos Estados Unidos no Oceano Pacífico, em 1971. ?No Brasil, a primeira ação de impacto foi em frente à central nuclear de Angra dos Reis, em 1992. Também a SOS Mata Atlântica tem sua origem intimamente ligada à luta anti-nuclear, com seus fundadores tendo liderado o movimento que evitou a instalação de usinas atômicas na Juréia, no litoral sul de São Paulo.?

Agencia Estado,

29 de julho de 2003 | 14h32

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