Greenpeace faz ato em Brasília em defesa do mogno

Há mais de uma semana acampados na Esplanada dos Ministérios, um grupo de ativistas domovimento ecológico Greenpeace fez, nesta segunda-feira, uma manifestação no lago em frente aoItamaraty para pressionar o governo brasileiro a ?assumir uma firme posição em defesado mogno?.Com três barcos infláveis, os manifestantes permaneceram por cerca de uma hora navegando no espelho d?água idealizado pelo paisagista Roberto Burle Marx, empunhando cartazes chamando a atenção do ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer.?Ouça o presidente?, pediam, numa alusão ao apoio manifestado por Fernando Henrique Cardoso à defesa mais contundente da espécie. Segundo Nilo D?Ávila, responsável pela Campanha Amazônia do Greenpeace, a entidade está criticando a posição do Itamaraty e da delegação brasileira no Chile, ?que não reflete o compromisso assumido pelo presidente Fernando Henrique, no programa Palavra do Presidente, em abril, nem a posição do governo de transição?.A Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites), assinada por 160 países, faz atualmente uma reunião no Chile para discutir o assunto.A manifestação não foi reprimida pelo Batalhão Rio Branco, da Polícia Militar, que faz asegurança das embaixadas e do Itamaraty, por decisão do secretário-executivo doMinistério, embaixador Omar Choffi.Durante o ato, foram usados alto-falantes com somde moto-serras e foi aberta uma espécie de jangada de madeira, simbolizando a árvore.Ao final, os ativistas entregaram uma bandeira e um abaixo-assinado ao conselheiroAndré Corrêa do Lago, responsável pelo Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty.O objetivo do grupo é fazer com que o Brasil apóie a proposta de que a madeira, amais valiosa das Américas e conhecida como ?ouro verde?, passe a ser listada comoespécie em vias de extinção, ?a menos que o comércio esteja sob regulamentaçãorigorosa?.Isto é o que determina o Anexo 2 da Cites.Hoje, o mogno está listado no Anexo 3 dessa convenção, que prevê apenas omonitoramento da comercialização, para evitar que entre em risco de extinção.O País vai votar contra a proposta de incluir a espécie no Anexo II, que restringe o comércio da espécie. A proposta deve ser votada nesta terça ou quarta-feira.Segundo o coordenador internacional da Campanha da Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário,o Anexo 3 é insuficiente para assegurar um mercado transparente para a madeira, poisnão implica compromissos de outros países produtores e consumidores, o que dificultao controle de parte do mercado.

Agencia Estado,

11 de novembro de 2002 | 17h16

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