Greenpeace faz manifesto e pede defesa ao mogno brasileiro

Dispostos a enfrentar sol e chuva, um grupo de ativista do movimento ecológico Greenpeace começou hoje uma manifestação em frente ao Ministério do Meio Ambiente, na Esplanada dos Ministérios, para pressionar o governo brasileiro a "assumir uma firme posição em defesa do mogno". Acampados na calçada, sob a sombra de um exemplar de mogno de 15 metros de altura plantado há cerca de 20 anos, os ativistas pretendem permanecer no local até o dia 15, quando se encerra em Santiago, no Chile, a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites). "A posição do governo brasileiro ainda é dúbia em relação à proteção mais efetiva do mogno", disse o assessor do Greenpeace, Reinaldo Canto. O objetivo do grupo é fazer com que a madeira, a mais valiosa das Américas e conhecida como "ouro verde", passe a ser listada como espécie em vias de extinção, "a menos que o comércio esteja sob regulamentação rigorosa". Isso é o que determina o Anexo 2 da Cites, entidade que reúne 160 países e cuja reunião começou hoje. Atualmente, o mogno está listado no Anexo 3 dessa convenção, que prevê apenas o monitoramento da comercialização, para evitar que entre em risco de extinção. Segundo o coordenador internacional da Campanha da Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, o Anexo 3 é insuficiente para assegurar um mercado transparente para a madeira, pois não implica compromissos de outros países produtores e consumidores, o que dificulta o controle de parte do mercado. Dono da maior reserva de mogno do planeta, o Brasil, de acordo com Canto, deveria assumir a liderança do movimento para garantir a proteção da espécie. Cerca de 14 manifestantes irão se revezar no acampamento na Esplanada, composto por uma barraca para dormir, mesa, posters e um computador alimentado por energia solar. Ao longo dos próximos dias, os ativistas vão fazer um abaixo assinado e promover manifestações para chamar atenção das autoridades e dos parlamentares brasileiros. O futuro governo também será contatado, por meio da senador Marina Silva (PT-AC). Uma das preocupações é vencer a resistência do Ibama, autoridade da Cite no Brasil. De acordo com o especialista em Mogno, Nilo D, o órgão entende que se o mogno ingressar no Anexo 2 aumentaria a burocracia de extração da madeira. "Entendemos que haverá burocracia, mas ela vai se estabilizar com o tempo", disse D. Em uma carta enviada ao presidente Fernando Henrique Cardoso, no dia 18 de outubro, o movimento SOS Mogno, formado por vários Organizações Não Governamentais (ONG), argumenta que além de preservar a espécie, a maior proteção à madeira vai beneficiar a indústria brasileira "ao contribuir para regular o mercado e reduzir a ilegalidade que caracteriza o setor de mogno no Brasil".

Agencia Estado,

04 de novembro de 2002 | 09h45

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