Greenpeace lança guia de consumidor sobre transgênicos

O Greenpeace lançou hoje, em São Paulo, um guia do consumidor, com uma lista de produtos com ou sem transgênicos. Segundo Mariana Paoli, coordenadora da Campanha de Engenharia Genética da entidade, a publicação traz mais de 500 produtos, de 78 empresas, que são comercializados nacionalmente. Todos eles contêm ingredientes de milho, soja e derivados (lecitina, gordura vegetal e proteína etc.), que estão presentes em aproximadamente 60% dos alimentos industrializados. Atualmente, a soja Roundup Ready, da Monsanto, e o milho Br da Novartis, representam 82% dos transgênicos plantados no mundo.O guia, que está disponível na internet (www.greenpeace.org.br), está dividido entre empresas que dão garantias de não usar matéria-prima transgênica (agrupadas em uma lista verde) e as que não ofereceram esta garantia ou não responderam ao questionamento do Greenpeace (lista vermelha). ?Desde janeiro, o Greenpeace entrou em contato com mais de 70 empresas pedindo uma declaração que garantisse o não uso de transgênicos e solicitando explicações sobre as medidas de controle adotadas a fim de evitar a aquisição de matéria-prima contaminada. Empresas como Unilever, Sadia, Carrefour e Superbom, após terem sido denunciadas pelo Greenpeace, passaram a controlar a matéria-prima, garantindo um produto sem riscos à saúde e ao meio ambiente?, disse.A Nissin-Ajinomoto está entre as indústrias que se adequaram depois de ter produtos incluídos na lista de contaminados com transgênicos. ?Nosso produto era todo produzido nos Estados Unidos, mas depois que fomos notificados pelo Greenpeace encerramos as importações e desenvolvemos a produção no Brasil, só com matéria-prima nacional, para termos um controle mais efetivo?, conta Valdeci Oliveira, chefe administrativo da empresa.Segundo Oliveira, a opção levou em consideração a preferência do consumidor final. Pesquisa de opinião encomendada pelo Greenpeace, realizada pelo Ibope em julho do ano passado, mostrou que 74% da população brasileira prefere consumir alimentos convencionais a transgênicos. O plantio, importação e comercialização de produtos geneticamente modificados estão proibidos no Brasil por decisão judicial, que exige, além do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), avaliação de impactos na saúde, normas claras de segregação e rotulagem. Segundo a coordenadora do Greenpeace, a entidade é contra os transgênicos por não haver garantias sobre seus efeitos à saúde e ao meio ambiente. ?Entre as conseqüências possíveis estão o empobrecimento da biodiversidade, inclusive agrícola, e o aparecimento de ?superpragas?. Como são organismos vivos, uma vez introduzidos no ambiente, podem trazer riscos irreversíveis?, diz Mariana.O guia do consumidor sobre transgênicos estará disponível nas lojas do Greenpeace, em Salvador e São Paulo, e será distribuído por voluntários em sete capitais brasileiras durante a semana do meio ambiente (1 a 9 de junho). Na internet, a lista será atualizada sempre que alguma empresa divulgar sua política sobre o assunto.

Agencia Estado,

29 de maio de 2002 | 12h16

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