Greenpeace pede aumento de impostos sobre carvão na China

Medida reduziria emissões de dióxido de carbono do país, além de beneficiar o meio ambiente de outras formas

Efe

27 de outubro de 2008 | 19h44

O Greenpeace sugeriu nesta segunda-feira, 27, aumentar os impostos sobre a produção e o consumo de carvão como medida para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) da China, assim como a poluição da água, a destruição do ecossistema e as mortes.   Segundo a organização, o aumento dos impostos elevaria o preço do combustível e reduziria ligeiramente a produção industrial, assim como o Produto Interno Bruto (PIB).   "Mas os custos sociais diminuiriam e, além disso, as pessoas viveriam melhor", afirmou o Greenpeace no relatório O verdadeiro custo do carvão na China apresentado nesta segunda.   No estudo, pesquisadores dos institutos Unirule e Energy Foundation concluem que o país paga um alto preço pelo carvão, "uma conta que chegou em 2007 a 7,1% do PIB".   "Por cada tonelada de carvão consumida na China em 2007, foram pagos 15 euros em danos ao meio ambiente, sem contar o custo da mudança climática", destacou o estudo feito por Mao Yushi, Sheng Hong e Yang Fuqioang.   Como 70% da energia consumida na China vem do carvão, os pesquisadores pediram ao Governo chinês que mude o sistema de custos "tanto a parte privada, que deveria determinar o mercado, e o social, pago pela população", disse Mao.   "Na China, não está muito claro que o custo da produção se estabeleça pelo mercado, pois, por exemplo, em geral os produtores não pagam renda pela terra onde exploram livremente as minas e os mineradores não são pagos o suficiente. O maior custo é a poluição e é social", insistiu.   "O meio ambiente e os danos sociais são subestimados no sistema chinês principalmente pela fraqueza do mercado e das regulações governamentais. É preciso levar em conta os chamados custos externos para que o preço do carvão os reflita e seja verdadeiro", destacou o relatório.   Segundo os analistas, um aumento de 23% no preço do carvão não prejudicaria muito o crescimento econômico chinês, mas aumentaria a riqueza social do país em mais de US$ 90 bilhões.   "Reconhecer o verdadeiro preço do carvão incentivará o desenvolvimento de energias limpas e sustentáveis", disse Yang Ailun, responsável pela campanha do Greenpeace na China.   "O Governo deveria fazê-lo para melhorar a eficiência e a implantação das energias renováveis e mostrar liderança na luta contra a mudança climática", acrescentou.

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