Grupo anuncia ter conseguido fusão nuclear a frio

Pesquisadores da Universidade da Califórnia (Ucla) anunciaram ter conseguido uma fusão nuclear a frio em laboratório. Trata-se de um passo importante a caminho do desenvolvimento de fontes limpas de energia, embora o experimento da Ucla tenha resultado em uma quantidade mínima de energia. O resultado foi formalmente divulgado nesta quinta-feira, num estudo publicado pela Nature. Tentativas anteriores de fusão a frio foram seriamente questionadas, mas esta recebeu forte apoio no meio científico, além de ter causado surpresa pela simplicidade dos métodos.MicroaceleradorA equipe liderada por Brian Naranjo montou um microacelerador. Um cristal que gera forte campo elétrico foi colocado numa pequena câmara de vácuo cheia de gás deutério, uma forma de hidrogênio capaz de se fundir. O cristal, inicialmente congelado, começou a ser aquecido pela temperatura ambiente, ativando-se como gerador de campo elétrico.Neste campo os átomos de deutério carregados foram se chocar contra um uma superfície com outros átomos de deutério, e muitos deles se fundiram. A reação gerou um isótopo de hélio e nêutrons característicos de uma fusão - a energia do Sol.Pouca energiaA energia resultante, entretanto, não foi maior do que a enegria empregada no experimento. Daí porque não se considera este, ainda, um marco na obtenção da energia limpa.Antes de chegar a ela, os pesquisadores podem aproveitar a fusão a frio para gerar nêutrons utilizáveis em sistemas de escaneamento, por exemplo.MétodosExperiências anteriores com fusão a frio foram desacreditadas porque não puderam ser repetidas ou tiveram seus métodos questionados. Em 1989, Stanley Pons, da Universidade de Utah (EUA), e Martin Fleischmann, da Universidade de Southampton (Inglaterra) chegaram a anunciar uma fusão a frio em temperatura ambiente, mas não conseguiram repetir o experimento.Especialistas acreditam no estudo da Ucla porque, segundo afirmam, os pesquisadores não violaram princípios da Física. "Eles estão usando um método testado e comprovado", explicuo David Ruzic, professor de Engenharia Nuclear e Plasma da Universidade de Illinois.

Agencia Estado,

28 de abril de 2005 | 18h26

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