Grupos de pesquisa unem esforços para salvar o pau-brasil

A madeira símbolo do Brasil corre sério risco de extinção, após 5 séculos de exploração predatória ininterrupta. O pau-brasil (Caesalpinia echinata) ainda hoje é derrubado e comercializado, apesar de sua ocorrência natural ter se tornado rara nos últimos remanescentes de Mata Atlântica e a despeito da proibição legal de corte. Para reverter esta situação, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) promove o simpósio ?Pau-Brasil, Ciência e Arte?, até a próxima sexta feira, 14 de março, em São Paulo. O evento reúne os diversos grupos de pesquisa, que já trabalham com a espécie, no Brasil, e os fabricantes de instrumentos musicais ? arcos de violino, em especial ? feitos com a madeira.?O objetivo é levantar o máximo de informações possíveis sobre o pau-brasil: tecnologias de plantio, características físico-químicas, diversidade genética, tudo o que possa nos ajudar a encontrar alternativas para diminuir a pressão sobre as árvores nativas, que ainda restam, e iniciar o plantio comercial e exploração racional?, explica a botânica Rita de Cássia Figueiredo Ribeiro, coordenadora do projeto temático de pesquisa do pau-brasil, financiado pela Fapesp. Iniciado em 2001 para terminar em 2004, com recursos da ordem de R$500 mil para o período, o projeto temático deve resultar numa publicação científica, reunindo todo este conhecimento. Até o lançamento deste livro, no segundo semestre de 2004, parte das informações ficará disponível num banco de dados virtual, que já está funcionando, hospedado no site da Sociedade Botânica de São Paulo (www.botanicasp.org.br ).A pesquisa da própria Rita de Cássia, no Instituto de Botânica de São Paulo, é uma das contribuições importantes para o plantio comercial de pau-brasil. Ao estudar o metabolismo de carboidratos das sementes da espécie, ela verificou que o armazenamento em câmaras frias, a 8ºC, pode estender de 3 para 18 meses o tempo em que as sementes permanecem ativas, mantendo um porcentual de germinação de cerca de 80%, quase igual à condição natural das matas. Informações semelhantes foram obtidas por outros grupos de pesquisa, do Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia, sobretudo, e junto com o conhecimento dos usuários da madeira, ajudará a incentivar o cultivo do pau-brasil.?Os fabricantes de arcos de violino, hoje um dos usos comerciais mais importantes do pau-brasil, sabem se um pedaço de madeira dará um bom instrumento só de examiná-lo, subjetivamente, antes mesmo de fabricar o arco?, conta Márcia Braga, também do Instituto de Botânica de São Paulo, organizadora do simpósio, do qual participam 150 pesquisadores e arqueteiros (fabricantes de arcos de violino). ?Por isso é importante este intercâmbio de informações, para promover as características físico-químicas desejáveis, que devem orientar a seleção das melhores árvores, do ponto de vista genético, para o uso comercial a que elas se destinam?.Atualmente existem alguns plantios comerciais de pau-brasil para abastecer o mercado de instrumentos musicais. Mas muita madeira ainda é retirada ilegalmente de matas nativas e contrabandeada para a Europa e Japão, onde, depois de transformadas em arcos de violino, passam a valer de US$3 a 4 mil.

Agencia Estado,

12 de março de 2003 | 19h28

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