Guerras não apagam a luz de Cristo, diz Bento XVI

Papa fez também um apelo para que tenham fim os episódios de violência contra as crianças

Efe

06 de janeiro de 2009 | 15h58

O papa Bento XVI afirmou nesta terça-feira, 6, que diante "do ódio e da violência destrutiva que não cessam de ensangüentar muitas regiões da Terra", os cristãos não podem perder a esperança, pois "não há sombra, por tenebrosa que seja, que possa obscurecer a luz de Cristo".   O papa presidiu diante 5.000 pessoas a solene missa da Epifania do Senhor na Basílica de São Pedro, na qual anunciou o dia da Páscoa, que este ano será comemorado em 12 de abril.   Durante a homilia, o papa criticou "o egoísmo e a pretensão do homem de se considerar um deus de si mesmo, o que às vezes conduz à perigosa alteração do plano divino sobre a vida e a dignidade humana".   Também convidou os cristãos a um esforço especial para "libertar a vida humana e o mundo da intoxicação e da poluição que poderia destruir o presente e o futuro".   Citou a carta encíclica Spe Salvi e disse que ante a luta contra a poluição "não temos sucesso ou parecemos impotentes ante a superioridade das forças hostis" e pediu coragem, "pois é grande a esperança que se apóia nas promessas de Deus, que nos dá coragem e dirige nossa ação".   Bento XVI afirmou que a Epifania, "a manifestação do senhor Jesus, é um mistério multiforme" e que a tradição latina a identifica como a revelação do messias de Israel ao povo pagão, enquanto a oriental a relaciona ao batismo de Jesus no Rio Jordão.   O líder da Igreja Católica declarou que 2009 será dedicado em modo especial à astronomia e disse que este ano se celebra o quarto aniversário da primeira observação no telescópio de Galileu Galilei.   Os reis magos eram "com quase toda probabilidade astrônomos" e de seu ponto de observação, "talvez na Mesopotâmia", notaram a aparição de um novo astro na Palestina e interpretaram o fenômeno celeste "como o anúncio do nascimento de um rei, precisamente, segundo as Escrituras, o rei dos judeus".   Bento XVI afirmou que as diferentes interpretações sobre o fato cosmológico são simbólicas e teológicas, pois - disse - "enquanto a teologia pagã diviniza os elementos e as forças do cosmos, a fé cristã leva a bom termo a revelação bíblica e contempla um único Deus, criador e senhor do universo".   Violência contra as crianças   O papa Bento XVI fez também um apelo à comunidade internacional para que tenham fim os episódios de violência contra as crianças "considerando que 2009 marca o 20º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança".   Bento XVI pediu um firme compromisso à comunidade internacional "para renovar a defesa, a proteção e a promoção da infância no mundo inteiro", pois "as crianças são a riqueza e a bênção do mundo, especialmente daqueles aos quais foi negada uma infância serena".   O líder da Igreja Católica afirmou isto durante sua felicitação às Igrejas Orientais que se regem pelo calendário Juliano e que amanhã celebram o Natal.   O papa fez alusão às dezenas de crianças e jovens que nos últimos meses, incluído o Natal, foram seqüestrados por grupos armados, que atacaram os povos e causaram inúmeras vítimas feridas na província oriental da República Democrática do Congo (RDC).   Além disso, fez um apelo aos autores de tais "brutalidades desumanas, para que devolvam as crianças a suas famílias e a seu futuro de segurança e desenvolvimento" ao que têm direito.   Declarou que "infelizmente" estes episódios são registrados em outras partes do mundo e os qualificou de "desprezíveis".   Expressou também sua "proximidade espiritual com as igrejas locais, que também se vêem afetados nas pessoas e em suas obras, e convocamos os pastores e fiéis a serem fortes e firmes na esperança".   No início do Ângelus, o papa afirmou que Jerusalém "somos todos nós", em referência a "Jesus rei dos Judeus, que é o Deus da misericórdia e da fidelidade".   Logo após o final da celebração o papa cumprimentou os peregrinos em italiano, francês, inglês, alemão, espanhol e polonês.

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