Habitantes de ilhas do Pacífico buscam nova pátria

Kiribati está ameaçada pelo aumento do nível dos mares e seu presidente quer encontrar asilo para cidadãos

18 de junho de 2008 | 16h06

Os habitantes da pequena nação de Kiribati aceitaram o desaparecimento de suas ilhas paradisíacas nas águas do Pacífico devido à mudança climática e buscam um novo lugar para viver. Kiribati, um arquipélago composto de 33 atóis e uma ilha vulcânica, é o lar de 105 mil pessoas que em menos de meio século, se se cumprirem as previsões, será engolido pelo oceano.  O presidente do país, Anote Tong, anunciou que Kiribati desaparecerá e iniciou uma busca internacional a fim de encontrar uma nação de adoção para seus cidadãos.  Após confirmar que apenas o governo neozelandês tenha respondido seu pedido de asilo, Tong não oculta sua frustração frente um problema causado fundamentalmente pelos grandes emissores de gás carbônico. "Os países poderosos enviam paras as nações pobres uma ajuda financeira que não seria necessária se cortassem suas emissões de gases", diz o mandatário.  O dirigente de Kiribati assegura que os pequenos arquipélagos do Pacífico sul somente produzem 0,6% da contaminação do mundo e são eles que mais sofrem com os danos da mudança climática.  Construir um dique temporário de reforço nas ilhas Gilbert, as mais povoadas, custaria mais que o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o segundo mais baixo do mundo em relação aos valores de paridade do poder aquisitivo, segundo dados fornecidos pelo Banco Mundial.  A visão apocalíptica do futuro de Kiribati não é nova, em 1989 um informe das Nações Unidas apontava que ele seria um dos primeiros países a serem devorados pelo oceano.  Dez anos depois a profecia começou a se fazer realidade quando uma de suas ilhas desabitadas desapareceu nas águas. Tebua e Abanuea, que ironicamente significa "a praia que mais tempo permanece", foram as primeiras vítimas do paulatino porém constante aumento do nível do mar. Até mesmo o governo da vizinha Vanuatu, evacuou aos habitantes das ilhas de menor altura por precaução, mas nada aconteceu. Os países da região começaram a alertar sobre a situação e os meios de comunicação a se perguntar quem seria o próximo, dando por certo que, algumas décadas mais tarde, todas as pequenas nações do Pacífico Sul teriam que enfrentar o mesmo problema. A Conferência Ministerial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da região Pacífico-asiática realizada em setembro de 2000 na cidade de Kitakyushu, no Japão, concluiu que a maioria dos arquipélagos do Pacífico eram vulneráveis à subida do nível do mar.  Os maiores problemas dessas nações são que as vivendas, campos de cultivo e infra-estrutura estão concentradas nas zonas costeiras, as mais expostas.  Não obstante, os cientistas que participaram da reunião consideraram uma tarefa complicada determinar a gravidade do problema. As estimativas do Programa de Meio Ambiente da região do Pacífico Sul apontam que no próximo século o nível do mar haverá subido meio metro e que o processo não irá parar nesse ponto, já que o aumento observado na atualidade é fruto do aquecimento. Este não é o único problema de Kiribati. Em 1988, o governo se viu obrigado a reabrigar mais de cinco mil pessoas em uma luta contra a super povoação e o país conta agora com 127 habitantes por quilômetro quadrado.  Embora rodeados por gigantes como a China e Austrália, os habitantes de Kiribati, os mais pobres entre todos os vizinhos, enfrentam quase sozinhos a seu desaparecimento como nação, repetindo a lendária história de Atlântida e condenados a serem esquecidos para sempre.

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