Hidrelétricas poderão entrar em proposta brasileira

Para ver aprovada sua proposta de meta para o uso de fontes renováveis de energia, o Brasil provavelmente terá de concordar com a inclusão das grandes hidrelétricas. "Elas fazem parte da negociação", disse à Agência Estado o ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho. Os grupos ambientalistas discordam dessa inclusão, argumentando que, embora essa fonte de energia seja renovável, não é sustentável, por causa dos danos ambientais que provoca."Estou sentindo que mesmo no G-77 (o bloco ao qual pertence o País, e que inclui os membros da Opep), na União Européia e no Canadá, a chance de aprovar a proposta é com a inclusão delas", avaliou o ministro, que chegou a Johannesburgo na segunda-feira, para a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. "Para o Brasil, não faz diferença." Excluindo as grandes hidrelétricas, a matriz energética brasileira tem 12% de fontes renováveis; incluindo-as, 40%. No mundo, o patamar é de 4,4%, com as grandes hidrelétricas; sem elas, cai para 2,2%.A proposta brasileira, elaborada pelo secretário de Meio Ambiente de São Paulo, José Goldemberg, de atingir 10% de fontes renováveis de energia no mundo em dez anos, sofre forte resistência dos países exportadores de petróleo e dos Estados Unidos. A União Européia tem sua proposta, de atingir 15% até 2010, mas com um acréscimo de apenas 2% nos países industrializados. Com as grandes hidrelétricas, eles têm hoje 5,6% de fontes renováveis e os países em desenvolvimento, 28,5% - incluindo também a queima de lenha, rejeitada pelos ambientalistas.Pela proposta européia, o esforço recairia sobre os países em desenvolvimento. As fontes renováveis são mais caras hoje do que a energia fóssil. O Brasil argumenta que um esforço comum, com investimento em tecnologia e aumento de escala, a tornaria mais barata com o decorrer do tempo. As fontes renováveis vão das mais conhecidas, como o álcool, a solar e a eólica, ao óleo de dendê e a beterraba.Os grupos ambientalistas WWF e Greenpeace enviaram uma carta aos países membros da União Européia pedindo que eles abandonem sua proposta e passem a apoiar a iniciativa brasileira. Entretanto, o endosso dos ambientalistas pressupõe a exclusão das grandes hidrelétricas."A União Européia deve concentrar suas atenções em fontes de energia como a solar, eólica e biomassa sustentável, ao invés de incentivar o uso de tecnologias insustentáveis", diz Jennifer Morgan, diretora do Programa de Mudanças Climáticas do WWF. "Ao incluir grandes represas e biomassa insustentável em suas metas de energia renovável, a UE está incentivando os países a não fazerem nada." Veja o Especial Rio+10

Agencia Estado,

27 de agosto de 2002 | 08h57

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