Hidrogênio, diesel e híbridos se destacam como tecnologias limpas

Os resultados dos testes de eficiência energética e emissões de poluentes e carbono, divulgados hoje, no Michelin Challenge Bibendum 2003, em Sonoma, nos Estados Unidos, colocaram os veículos movidos a hidrogênio, diesel e híbridos nos primeiros lugares, em contraste com as competições do ano passado, em que os destaques foram para motores a gás natural comprimido (CNG), gás natural líquido (LNG) e elétricos. Os 108 veículos competidores foram comparados através de sensores de última geração, em condições de uso, ou seja, ao ar livre e com o motor em movimento. Dados de laboratório, como os utilizados para a homologação de veículos comerciais, também integraram as avaliações.Trinta e dois veículos foram premiados com ouro, pelo excelente desempenho na redução de emissões, com os índices de poluentes e gás carbônico (o principal gás do efeito estufa, relacionado às mudanças climáticas) muito próximos de zero. Entre estes há modelos em produção como o Honda FCX (célula de combustível); o Civic GX (gás natural comprimido), também da Honda e o Prius 2003, da Toyota (híbrido de combustão interna a gasolina.Dos protótipos, que receberam ouro em emissões de poluentes e carbono, três eram elétricos a bateria: o Courrèges La Bulle R, AC Propulsion Tzero e Zap Heibao HV. Também conseguiram a primeira colocação, nos dois quesitos, o protótipo de Mercedes-Benz Classe A (célula de combustível); o Suzuki Esteem (híbrido célula de combustível e bateria) e as duas versões do Hyundai Santa Fé (célula de combustível e híbrido de célula de combustível e bateria).Parcialmente limposAlguns veículos obtiveram ótimo desempenho na redução de poluentes (hidrocarbonetos, monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio), mas continuam emitindo níveis altos de carbono ou não realizaram os respectivos testes. Foi o caso do Nissan Sentra (combustão interna a gasolina), do Ford Focus FCV (célula de combustível), do Solar SoMo (solar); dos veículos de combustão interna a gasolina Honda Accord EX, Toyota Prius e Camry PZEV, Nissan Altima e Volvo S60 PZEV; além do híbrido de combustão interna e gás natural comprimido Volvo S80 e o híbrido de célula de combustível e bateria Toyota FCHV. E também as minivans de combustão interna a gasolina: Element 2 WD EX e Acura MDX Touring, da Honda; Sienna e Lexus RX 330, da Toyota; a híbrida Toyota FCHV (célula de combustível e bateria) e o protótipo da Isuzu, Elf (híbrido de combustão interna e gás natural comprimido).Outros veículos reduziram significativamente as emissões de carbono, mas ainda não resolveram a questões dos poluentes da baixa atmosfera, como o Volkswagen Jetta TDI (biodiesel), o Ford Focus H2ICE (híbrido de combustão interna e hidrogênio), o Mercury Sable "Aluminium Cow" (combustão interna a diesel e bateria) e a Toyota Tacoma (híbrida de combustão interna e hidrogênio).Nos testes de eficiência energética, 6 carros receberam o primeiro prêmio, com o Honda FCX novamente em destaque ao lado deVolkswagen Jetta TDI, dos elétricos a bateria Courrèges La Bulle R, AC Propulsion Tzero e Zap Heibao HV e do híbrido Mercury Sable "Aluminium Cow". A minivan Hyundai Sante Fe FCHEV alcançou o mesmo desempenho, assim como os protótipos Isuzu Elf e Ford F550 e o caminhão Freightliner FL70, movido a gás natural comprimido, da companhia elétrica californiana PG&E. E a eficiência energética, a par da redução de poluição, conferiram ouro ainda aos ônibus da GM (híbrido diesel e bateria) e dos elétricos da Daimler Chrisley, Thor/ISE e da Escola do Distrito de Napa Valley.Diesel "inteligente"O avanço tecnológico dos motores de combustão interna, a diesel ou gasolina, no controle de emissões são surpreendentes. "Há uma década se acreditava que os motores diesel e gasolina haviam chegado ao topo do desenvolvimento tecnológico e, para melhorar o desempenho dos veículos nas emissões e energia seria preciso mudar completamente de tecnologia, agora se vê um progresso impressionante e ainda não chegamos ao topo", observa Edouard Michelin, presidente da Michelin e anfitrião do evento. Tais melhorias, sobretudo dos motores a diesel, abrem uma perspectiva real de redução da contribuição do setor de transportes para poluição dos grandes centros urbanos e para o aquecimento global da atmosfera. Na Europa, já há diretrizes políticas e leis de incentivo à adoção de veículos a diesel, relacionadas ao compromisso de redução de emissões do Protocolo de Kyoto.Segundo John Boesel, presidente da organização não governamental Calstart, que promove a eficiência energética, 60% das emissões de carbono do estado da Califórnia, são provenientes do setor de transportes. "Nos últimos anos, trocamos a economia de combustível pelo aumento do peso, potência e performance dos nossos veículos, em termos de investimento tecnológico", acrescenta Daniel Sperling, professor e diretor da Universidade da Califórnia, em Davis. Ele estima que o aumento médio de peso dos veículo norte americanos foi de 24% entre 1981 e 2003; o aumento de potência da ordem de 93% nestes 22 anos e os veículos também ficaram 29% mais rápidos. "Agora é hora de investir na eficiência energética e redução de emissões".

Agencia Estado,

25 de setembro de 2003 | 16h44

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