Homem de confiança do papa é pivô de escândalo no Vaticano

Em meio a todas as rivalidades e fofocas expostas pela atual crise no Vaticano, o principal homem de confiança do papa Bento 16, cardeal Tarcisio Bertone, surge como principal alvo em uma inédita campanha de vazamentos.

TOM HENEGHAN, REUTERS

31 Maio 2012 | 19h49

A publicação de detalhes constrangedores sobre homens que ele nomeou ou transferiu e sobre projetos que ele promoveu ou contestou sugerem um esforço organizado para derrubá-lo do cargo de secretário de Estado do Vaticano (equivalente a primeiro-ministro).

Bento 16 causou alvoroço em 2006 ao nomear Bertone, teólogo e especialista em direito canônico, para comandar a burocracia vaticana, que normalmente fica a cargo de algum experiente diplomata pontifício.

Uma série de tropeços constrangedores para o papa e o estilo de gestão cada vez mais autoritário de Bertone finalmente levaram seus críticos a iniciarem uma campanha para desacreditá-lo, segundo fontes da Santa Sé.

"É tudo visando a Bertone", disse um monsenhor da Cúria Romana, aliado do secretário de Estado. "Está muito claro que eles querem se livrar de Bertone."

Nas últimas semanas, o chefe do banco oficial do Vaticano foi repentinamente demitido, um jornalista italiano lançou um livro fazendo acusações à Igreja, e o mordomo pessoal do papa foi preso pela acusação de subtrair documentos pessoais do papa que revelavam promiscuidade financeira nas relações do Vaticano com empresas italianas.

Fontes do Vaticano dizem que o mordomo foi pego como bode expiatório do vazamento, para poupar cardeais envolvidos. "Não está claro quem exatamente está por trás da campanha difamatória, mas observadores do Vaticano suspeitam da "ala diplomática", que teria sido humilhada por Bertone. Esse grupo inclui o ainda influente antecessor dele, cardeal Angelo Sodano.

Bertone também irritou alguns funcionários da Cúria ao exercer mais controle sobre o acesso deles ao papa, e ofendeu alguns prelados italianos ao se envolver com políticos locais, tarefa normalmente reservada às conferências episcopais nacionais.

Alguns comentaristas veem a crise como o início de uma disputa de poder para quando Bento 16 morrer. "A maioria no próximo conclave é o que realmente está em jogo", escreveu o jornal La Stampa.

Com a intensificação das críticas a Bertone, Bento 16 fez na quarta-feira uma rara declaração pública de apoio ao seu homem de confiança e a outros assessores diretos.

"Gostaria de renovar minha confiança e meu encorajamento aos meus mais próximos colaboradores e a todos aqueles que todos os dias, com fé, espírito de sacrifício e em silêncio me ajudam a realizar meu ministério", disse ele na audiência pública semanal.

(Reportagem adicional de Philip Pullella)

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