Homem de Neandertal teria maior mobilidade, diz estudo

Análise de um dente de 40 mil anos indica que um homem da espécie teria vagado por cerca de 20 quilômetros

Associated Press,

12 de fevereiro de 2008 | 17h47

A análise de um dente de 40 mil anos, encontrado no sudeste da Grécia, concluiu que o homem de Neandertal - uma espécie com parentesco próximo ao Homo sapiens - tinha mais mobilidade do que se imaginava, declararam paleontologistas e o Ministério da Cultura grego na sexta-feira, 8.   Veja também:   Neandertais podem ter sido ruivos e de pele clara   A análise do material - parte dos fragmentos do primeiro e único Neandertal encontrado na Grécia - mostrou que o parente da humanidade viveu pelo menos parte de sua vida longe da área onde foi achado morto.   "A mobilidade do homem de Neandertal é muito controversa", disse a paleontologista Katerina Harvati, professora do Max Planck Institute For Evolution Antrophology em Leipzig, na Alemanha. Alguns especialistas acreditam que o homem de Neandertal vagou por regiões muito limitadas, mas outros dizem que eles tinham mais mobilidade, especialmente quando estavam caçando, explicou Katerina.   Ian Tattersall, curador de antropologia do Museu Americano de História Natural (AMNH) em Nova York, afirmou que a análise do dente trouxe uma peça-chave de evidência para a controvérsia. "Isso é uma descoberta muito interessante, já que nós não sabemos exatamente o quanto o homem de Neandertal andou durante a vida", disse Tattersall, que não participou do estudo grego.   Até agora, especialistas tinham apenas uma evidência indireta dessa possível mobilidade, incluindo artefatos de pedra, afirmou Katerina. "Nossa pesquisa é a única que traz evidências de um fóssil de um Neandertal", acrescentou.   A equipe de pesquisadores do instituto grego analisou o esmalte do dente encontrado para radiações de isótopos de estrôncio, um elemento químico metálico naturalmente encontrado nos alimentos e na água. Os níveis do metal variam em diferentes áreas. Pela absorção do elemento pelo corpo, uma análise é capaz de mostrar onde o ser humano viveu.   Eleni Panagopoulou, do Departamento de Paleontologia e Espeleologia grego, disse que os níveis de estrôncio encontrado no material apontou que pelo menos esse Neandertal cresceu numa área diferente - a cerca de 20 quilômetros - da região onde foi descoberto. "Nossas descobertas provam que a mobilidade deles era significantiva, e sua colonização no planeta foi maior e mais organizada do que se imaginava", declarou Eleni.   Com isso, o homem de Neandertal também teria convivido com o homem moderno em algumas partes da Europa. "Pode-se presumir que essa mobilidade poderia facilitar o contato das duas populações a nível cultural e, quem sabe, biológico", acrescentou.   Discordância sobre a descoberta   O professor Clive Finlayson, especialista nos estudos do homem de Neandertal e diretor do Museu de Gibraltar discordou da importância da descoberta. "A técnica é interessante, e se nós conseguirmos repeti-la outras vezes, poderemos chegar a algum tipo de conclusão", afirma. "Mas eu ficaria surpreso se o homem de Neandertal não tivesse se movido pelo menos 20 quilômetros durante toda a vida, ou pelo menos num ano... nós estamos falando de humanos, não de árvores", avalia.

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