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Homem já vivia em grande altitude há 12 mil anos, diz estudo

Pesquisa revelou 2 sítios arqueológicos a 4,5 mil metros de altitude que eram habitados por caçadores e coletores no fim do Pleistoceno

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2014 | 22h46

Um grupo internacional de arqueólogos encontrou nos Andes do Peru as mais antigas evidências de presença humana em grandes altitudes. A pesquisa, publicada nesta quinta-feira, 23, na revista Science, revelou dois sítios arqueológicos a 4,5 mil metros de altitude que eram habitados por caçadores e coletores há mais de 12 mil anos, no fim do período Pleistoceno.

De acordo com um dos autores, Daniel Sandweiss, da Universidade do Maine, nos Estados Unidos, a ocupação dos dois locais, situados na Bacia de Pucuncho, nos sul dos Andes peruanos, foi feita apenas 2 mil anos depois da chegada dos primeiros seres humanos às Américas. “Até agora não havia notícias de ocupações humanas tão antigas em grandes altitudes. Nosso achado desafia teorias anteriores sobre a colonização em grandes altitudes, que sugeriam ser preciso um tempo muito maior até que uma população se adaptasse geneticamente para habitar locais tão extremos”, afirmou Sandweiss.

Segundo ele, entender como as populações primitivas se adaptavam às condições extremas - como pouco oxigênio, frio intenso e altos níveis de radiação solar - é importante para compreender a capacidade de sobrevivência humana do ponto de vista cultural e genético. “Morar ali é realmente um desafio. Nossa equipe levou quatro horas para chegar a esses locais, por encostas íngremes e acidentadas, com clima congelante, especialmente à noite”, disse. 

Sandweiss contou que nos sítios foram encontradas ferramentas, ossos de animais e raízes levadas para lá a partir de locais mais baixos. “Ao que tudo indica, eles passavam o ano todo lá. Não eram simples acampamentos de caçadores.”

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