Homem teria chegado à América há 20 mil anos

Uma nova abordagem, feita por um grupo de pesquisadores brasileiros e argentinos, propõe que a migração humana da Ásia para a América teria começado ainda muito mais cedo do que se pensava. Há 20 mil anos.Para chegar à nova data, foram analisados dados genéticos das populações e eventos geológicos-climáticos. O grupo é formado por pequisadores das universidade federais Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Minas Gerais (UFMG) e do Centro Nacional Patagônico.Uma das análises mais conclusivas foi baseada em dados genéticos, retirados do DNA mitocondrial de centenas de humanos. Análises morfométricas de crânios também foram consideradas.?Grande parte dos modelos é simplificadora. Esse povoamento foi muito mais complexo. É preciso que as similaridades também sejam identificadas?, disse Maria Cátira Bortolini, da UFGRS. A cientista é uma das líderes do grupo que vai propor uma nova síntese.BeríngiaO grupo está convencido de que a Beríngia - porção de terra firme que juntou o Alasca e a Sibéria onde atualmente se encontra o Estreito de Bering -, teve uma importância gigantesca no processo da conquista humana das Américas.A pressão populacional naquele local pode ajudar a explicar por que a onda migratória teve seu início para o sul do continente. E, nesse deslocamento, os pesquisadores não descartam a importância da chamada ?rota pacífica de povoamento?.O que precisa ser mais bem identificado, dizem os pesquisadores do grupo, é se a expansão demográfica ocorreu do lado de cá ou de lá. Mas a hipótese de que houve um fluxo freqüente durante um bom período, ou quando os dois continentes permaneceram unidos geograficamente, também não é desprezível.O grupo está propondo uma reunião interdisciplinar para ajudar a responder essas dúvidas. ?É preciso oferecer uma visão de mundo?, acredita Maria.Muitas rotasExistem vários pontos de vista sobre o povoamento das Américas. A arqueóloga Niéde Guidon, defende a idéia de que a ocupação das Américas pode ter se dado por muitas rotas diferentes, inclusive marítimas.Ela afirma ter encontrado na Serra da Capivara, sul do Piauí, vestígios de presença humana (restos de fogueiras) com 50 mil anos. O Museu do Homem Americano, fundado e administrado por ela, exibe múmias com cerca de 11 mil anos.O arqueólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), formou sua análise em mais de sete dezenas de crânios obtidos em Lagoa Santa, nos arredores de Belo Horizonte. Para Neves, o povoamento das Américas pelo Estreito de Bering teria começado há 14 mil anos. Luzia (crânio estudado por Neves) e seus companheiros teriam vivido no interior brasileiro há aproximadamente 11 mil anos.O modelo chamado de convencional, dado como inquestionável pelos norte-americanos, afirma que tudo começou no máximo há 11,5 mil anos, com a entrada dos humanos via Estreito de Bering.

Agencia Estado,

15 de setembro de 2005 | 15h13

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.