Universidade de Cantábria
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Homens do paleolítico caçavam leão-das-cavernas para usar peles

Novo estudo sugere que caça pode ter contribuído para extinção da espécie de felinos há 14 mil anos

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2016 | 08h00

No fim do período paleolítico, os humanos caçavam os leões-das-cavernas para usar suas peles, contribuindo para a extinção da espécie. A conclusão é de um estudo publicado nesta quinta-feira, 27, na revista PLOS One e liderado por pesquisadores da Universidade de Cantábria (Espanha).

O leão-das-cavernas europeu (Panthera leo spelaea), considerado o maior leão que já existiu, foi extinto há cerca de 14 mil anos, mas até agora as causas de seu desaparecimento são obscuras. Os cientistas já sabiam que o homem do paleolítico superior caçava outras espécies de pequenos e grandes carnívoros, mas até agora não havia evidências de caça ao leão-das-cavernas.

Para realizar o novo estudo, a equipe liderada por Marián Cueto, da Universidade de Cantábria, examinou nove ossos fossilizados de dedos de leões-das-cavernas do paleolítico superior, com cerca de 16 mil anos, encontrados na caverna de La Garma, no norte da Espanha. 

Os cientistas descobriram que a maior parte dos ossos apresentavam sinais de modificações produzidas por humanos com o uso de ferramentas de pedra. A técnica utilizada pelos homens do paleolítico para modificar os ossos são semelhantes às utilizadas pelos caçadores modernos, quando retiram o couro do animal mantendo as garras ligadas à pele.

De acordo com os cientistas, é provável que os ossos de patas analisados tenham sido parte de um só animal, cuja pele pode ter sido utilizada para forrar o chão de uma caverna ocupada. Segundo eles, a descoberta sugere que os leões-das-cavernas tinham um papel mais importante do que se imaginava entre os grupos de humanos - e que a caça pode ter levado à extinção dos animais.

O sítio de La Garma é conhecido por ter sido associado com rituais humanos e os leões-das-cavernas podem ter sido animais simbólicos para os homens daquela época. A caverna onde foram encontrados os fósseis fica na galeria mais profunda de La Garma, cuja entrada foi bloqueada no fim do período Pleistoceno, há cerca de 10 mil anos.

"Tudo que está na caverna permanece exatamente como os humanos pré-históricos deixaram, é como uma caixa fechada", disse um dos autores do estudo, Edgard Camarós, do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social, em Tarragona (Espanha). 

"Como os humanos mostraram nesse sítio arqueológico que eles já haviam adquirido bastante habilidade para tirar a pele de leões, especulamos sobre a possibilidade de que a extinção do leão-das-cavernas não tenha sido resultado apenas de condições climáticas e outros fatores. Também é preciso levar em conta que os humanos podem ter sido um fator importante", afirmou Camarós.

Os cientistas acreditam que a localização dos ossos na parte mais profunda da caverna - que fica longe da área de vivência e onde há evidências de manifestações artísticas e atividades rituais -sugere que a pele do leão-das-cavernas pode ter sido utilizada em rituais.

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