Homens gays e mulheres têm cérebros semelhantes

De acordo com pesquisa, descoberta sugere que há fatores biológicos que podem influenciar a sexualidade

REUTERS

16 de junho de 2008 | 16h58

Homossexuais do sexo masculino e mulheres heterossexuais apresentam algumas características comuns na área do cérebro responsável pela emoção, o humor e a ansiedade, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira, 16, em um estudo que chama atenção para o substrato potencialmente biológico da sexualidade. Tomografias do cérebro mostraram a mesma simetria entre as lésbicas e os homens heterossexuais, escreveram pesquisadores na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. "O resultado das observações não pode ser atribuído diretamente à percepção da realidade ou ao comportamento", afirmaram os cientistas, do Instituto Karolinska (Suécia). "E continua a ser uma pergunta em aberto saber se essas características se verificaram durante o desenvolvimento fetal ou durante o desenvolvimento pós-natal." Vários estudos analisaram o papel de fatores genéticos, biológicos e ambientais na orientação sexual, mas poucas provas existem sobre qualquer um desses desempenhar um papel preponderante. Muitos cientistas acreditam que os fatores inatos e externos exercem influência. Tomografias realizadas em 90 voluntários mostraram que o cérebro dos homens heterossexuais e das mulheres homossexuais é ligeiramente assimétrico, apresentando o hemisfério direito um pouco maior do que o esquerdo, disse os pesquisadores Ivanka Savic e Pers Lindstrom. O cérebro dos homossexuais do sexo masculino e das heterossexuais não apresentam essa assimetria. Depois, os cientistas mediram o fluxo de sangue na amígdala cerebelar - uma área importante para os comportamentos agressivos - e descobriram que ele contava com uma ramificação semelhante nos homens gays e nas mulheres heterossexuais, ao passo que apresentava outra forma entre as lésbicas e os homens heterossexuais. Os pesquisadores acrescentaram que o estudo não consegue dizer se as diferenças na anatomia do cérebro são herdadas ou se decorrentes, por exemplo, da exposição a hormônios como a testosterona no útero e se são responsáveis pelas escolhas sexuais de uma pessoa. Mas isso é algo que pretendem avaliar em um novo estudo a ser realizado com bebês recém-nascidos a fim de verificar se esse tipo de avaliação conseguirá ajudar a prever a orientação sexual deles no futuro. "Essas observações nos motivam a realizar pesquisas mais amplas com grupos de estudo maiores e a buscar uma melhor compreensão da neurobiologia da homossexualidade", escreveram. (Reportagem de Michael Kahn)

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