Homossexualidade masculina pode ter explicação evolutiva

Evolução de Darwin comprova relação da homossexualidade masculina com a fecundidade feminina, diz estudo

Efe

18 de junho de 2008 | 14h51

A homossexualidade humana pode ser explicada pela teoria da evolução de Charles Darwin, que no século XIX assinalou que os fatores genéticos dão uma vantagem reprodutiva a um sexo em detrimento do outro. É o que diz um estudo divulgado nesta quarta-feira, 18, pela revista Public Library of Science (PLoS).  Essa forma de evolução, conhecida como "seleção sexual antagônica", já foi comprovada em insetos, aves e até alguns mamíferos, mas nunca tinha sido constatada em seres humanos, segundo os cientistas Andrea Camperio Ciani, da Universidade de Pádua e Paolo Cermelli, da Universidade de Turim. Em geral, os cientistas dizem que a homossexualidade masculina é influenciada por fatores psicossociais e componentes genéticos. Eles dizem que isto se comprova na alta coincidência da orientação sexual de gêmeos idênticos e no fato de que o homossexualismo é mais comum em homens que provêm de uma linha materna de homossexuais. Segundo os cientistas, estes efeitos não se apresentam no homossexualismo feminino o que indica que os dois fenômenos podem ter dinâmicas e origens diferentes. Assinalam que até há algum tempo era difícil explicar a base de modelos evolutivos, porque os vetores dos genes que predispõem ao homossexualismo masculino teriam uma menor reprodução e um posterior desaparecimento. No entanto, essa idéia mudou quando Ciani demonstrou em 2004 que as mulheres na linha materna de homossexuais eram mais férteis que a média. Para tirar as dúvidas, os cientistas italianos analisaram várias hipóteses, incluindo o efeito genético maternal, a vantagem heterozigótica e a "seleção sexual antagônica". Após examinar esses modelos, determinaram que o único possível era o da seleção antagônica que envolve pelo menos dois genes, um dos quais deve ser o cromossomo X que os homens herdam de sua mãe. Os resultados deste modelo mostram a relação do homossexualismo masculino com uma fecundidade feminina nas povoações humanas o que tem como resultado uma manutenção do homossexualismo entre os homens em freqüências estáveis e relativamente baixas. Além disso, o modelo ressalta os efeitos hereditários através da linha materna, segundo os cientistas. Eles acrescentam que suas conclusões proporcionam uma nova visão da homossexualidade masculina e afirmam que não se deveria considerá-la como um traço negativo (devido a uma menor fecundidade masculina), mas como uma característica que promove a fecundidade feminina.

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