Hubble vê estrutura galáctica sustentada por magnetismo

Ela é uma renda de filamentos gasosos que aparece impulsionada por matéria que sai de um buraco negro

da Redação, estadao.com.br

20 de agosto de 2008 | 18h21

A NGC 1275 é uma ds galáxias elípticas gigantes mais próximas da Terra, e fica no centro do aglomerado de galáxias de Perseu. Ela é uma galáxia ativa, que tem um imenso buraco negro em seu centro, liberando bolhas de material que emite ondas de rádio no gás que forma o ambiente do aglomerado. Sua característica mais espetacular é a renda de filamentos gasosos que aparece em meio à temperatura de milhões de graus do gás emissor de raios X que preenche o aglomerado.  Foto: Divulgação Esses filamentos são a única manifestação de luz visível do intrincado relacionamento entre o buraco negro central e os gases que o cercam. Eles fornecem pistas importantes sobre como buracos negros gigantes afetam seus ambientes.  Uma equipe de astrônomos da Nasa e da Agência Espacial Européia (ESA) usando a câmera avançada do telescópio Hubble, pela primeira vez conseguiram resolução suficiente para discernir fibras individuais do gás que forma os filamentos. A quantidade de gás em uma fibra típica é cerca de um milhão de vezes a massa de nosso sol. Eles tem apenas 200 anos-luz de largura, são surpreendentemente retos e se estendem por 20 mil anos-luz. Os filamentos se formam quando gases frios do coração da galáxia são arrastados para fora, pelas bolhas expelidas pelo buraco negro.  Um novo estudo, comandado por Andy Fabian da Universidade Cambridge, no Reino Unido, que será publicado na edição de quinta-feira, 21, da revista Nature, tenta resolver o desafio dos cientistas em entender como estruturas tão delicadas sobrevivem em um ambiente tão hostil há mais de 100 milhões de anos. O estudo propõe que campos magnéticos mantêm as estruturas gasosas no lugar e permitem que elas resistam a distorções. "Nós podemos ver que os campos magnéticos são cruciais para esses complexos filamentos - para sua sobrevivência e integridade", disse Fabian.  Os novos dados do Hubble também permitiram que fosse determinada a força desses campos magnéticos, a partir do tamanho das fibras. Os mais finos e frágeis precisam de campos mais fortes para se sustentarem. No entanto, quanto mais fino o filamento, mais difícil é observá-lo.

Tudo o que sabemos sobre:
espaçoNasaESAHubble

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.