Ibama apreende 7,5 mil ovos de tartaruga no RS

O pelotão ambiental da Brigada Militar (a polícia militar gaúcha) e fiscais do Ibama apreenderam 7,5 mil ovos de tartaruga numa propriedade rural de Capão Seco, no município de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, na quinta-feira. Os donos do terreno, um homem e uma mulher, irmãos, foram multados em R$ 3,75 milhões. "Eles poderão se defender no processo administrativo", avisa a superintendente regional do Ibama no Estado, Cecília Hipólito. "Mas também serão denunciados ao Ministério Público por crime ambiental e poderão sofrer uma ação penal".A dupla contou que recebeu os ovos em setembro do ano passado de um empresário de São Paulo sob a promessa de que os filhotes seriam comprados em março deste ano. O terreno fica perto de um banhado e é semelhante ao usado pela espécie para a desova. Neste sábado, técnicos do Laboratório de Manejo Ambiental da Universidade Católica de Pelotas vão ao local para retirar os ovos e levá-los a uma incubadora. "Eles ficarão em chocadeiras com temperatura controlada", informa o oceanólogo Alex Bager, coordenador do laboratório. "Normalmente, nessas situações, os filhotes se salvam". Quando nascerem, as tartarugas serão devolvidas à natureza.Os ovos são da espécie tigre da água (trachemys dordigmyi), abundante no Rio Grande do Sul. Bager, que já fez rastreamento do comércio da tartaruga, constatou que os filhotes são vendidos na região a R$ 2,50 cada e que chegam a cotações de US$ 50 no exterior. "O único uso é como animal de estimação", afirma. Segundo o oceanólogo, não há evidências de que a indústria de cosméticos mantenha o uso dos ovos na elaboração de seus produtos, como fazia há alguns anos.

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2005 | 21h27

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