Ibama avalia status do peixe boi fluvial

Já é muito difícil encontrar o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) nos grandes rios dos estados do Amazonas e Pará. Mas, de vez em quando, ainda aparece um ou outro espécime nos mercados ou mesmo em bingos e sorteios de quermesses, disputado pelos ribeirinhos como uma iguaria e um prêmio. Considerado um dos mamíferos aquáticos mais ameaçados de extinção, este parente fluvial do peixe boi marinho (Trichechus manatus) vem sendo estudado por pesquisadores do Projeto Peixe-Boi, do Centro Mamíferos Aquáticos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (CMA/Ibama), cuja sede fica em Itamaracá, Pernambuco. Eles querem conhecer o status real da espécie para adotar medidas práticas e urgentes de conservação e, por isso, estão a bordo de um barco, no rio Tapajós, prevendo visitar cerca de 70 comunidades ribeirinhas da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e da Floresta Nacional de Tapajós, até meados de setembro. A pesquisa tem o apoio do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e, além do levantamento, procura conscientizar sobre a importância de se proteger a espécie. Nos primeiros cinco dias de viagem, a expedição já passou por oito comunidades, colhendo relatos e verificando a freqüência de avistagem e caça de peixe boi, a exemplo do que foi feito em 2000, quando 6.400 quilômetros dos rios Solimões, Negro, Purus, Madeira e Amazonas, foram percorridos, no estado do Amazonas. Caça primitiva Luciano Candisani/DivulgaçãoNos mercados clandestinos, a carne do peixe boi é vendida a R$1,00 o quilo.Já é muito difícil encontrar o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) nos grandes rios dos estados do Amazonas e Pará. Mas, de vez em quando, ainda aparece um ou outro espécime nos mercados ou mesmo em bingos e sorteios de quermesses, disputado pelos ribeirinhos como uma iguaria e um prêmio. Considerado um dos mamíferos aquáticos mais ameaçados de extinção, este parente fluvial do peixe boi marinho (Trichechus manatus) vem sendo estudado por pesquisadores do Projeto Peixe-Boi, do Centro Mamíferos Aquáticos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (CMA/Ibama), cuja sede fica em Itamaracá, Pernambuco. Eles querem conhecer o status real da espécie para adotar medidas práticas e urgentes de conservação e, por isso, estão a bordo de um barco, no rio Tapajós, prevendo visitar cerca de 70 comunidades ribeirinhas da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e da Floresta Nacional de Tapajós, até meados de setembro. A pesquisa tem o apoio do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e, além do levantamento, procura conscientizar sobre a importância de se proteger a espécie. Nos primeiros 5 dias de viagem, a expedição já passou por 8 comunidades, colhendo relatos e verificando a freqüência de avistagem e caça de peixe boi, a exemplo do que foi feito em 2000, quando 6.400 quilômetros dos rios Solimões, Negro, Purus, Madeira e Amazonas, foram percorridos, no estado do Amazonas. Caça primitivaJá é muito difícil encontrar o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) nos grandes rios dos estados do Amazonas e Pará. Mas, de vez em quando, ainda aparece um ou outro espécime nos mercados ou mesmo em bingos e sorteios de quermesses, disputado pelos ribeirinhos como uma iguaria e um prêmio. Considerado um dos mamíferos aquáticos mais ameaçados de extinção, este parente fluvial do peixe boi marinho (Trichechus manatus) vem sendo estudado por pesquisadores do Projeto Peixe-Boi, do Centro Mamíferos Aquáticos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (CMA/Ibama), cuja sede fica em Itamaracá, Pernambuco. Eles querem conhecer o status real da espécie para adotar medidas práticas e urgentes de conservação e, por isso, estão a bordo de um barco, no rio Tapajós, prevendo visitar cerca de 70 comunidades ribeirinhas da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e da Floresta Nacional de Tapajós, até meados de setembro. A pesquisa tem o apoio do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e, além do levantamento, procura conscientizar sobre a importância de se proteger a espécie. Nos primeiros 5 dias de viagem, a expedição já passou por 8 comunidades, colhendo relatos e verificando a freqüência de avistagem e caça de peixe boi, a exemplo do que foi feito em 2000, quando 6.400 quilômetros dos rios Solimões, Negro, Purus, Madeira e Amazonas, foram percorridos, no estado do Amazonas. Caça primitivaArpões e peças de madeira usadas na caça ao peixe boi foram encontrados em todas as comunidades visitadas, tanto no Amazonas, como agora, no Pará. Mesmo com a proibição da caça e com sua população visivelmente reduzida, a espécie continua sob forte pressão. As técnicas de caça, bem primitivas, são passadas de pai para filho e a culinária popular inclui vários pratos feitos com a carne do peixe boi, que, nos séculos XVII e XVIII abastecia navios inteiros e era exportada para a Europa. Só de Vila Franca, uma das comunidades visitadas pela atual expedição, saíram 58 toneladas de carne e 1613 barris de gordura de peixe boi entre os anos de 1776 e 1778, conforme consta em antigos registros consultados pelos pesquisadores. Já no século XX, na mesma Vila Franca, a caça se intensificou com o objetivo de abastecer a indústria de couro, que entre 1935 e 1954 consumiu pelo menos 20 mil animais. O couro resistente do peixe boi era usado para fabricar correias de máquinas e mangueiras e sua gordura entrava na fabricação de colas.Ainda hoje, o peixe boi é caçado de canoa, arpoado quando sobe para respirar. Quando ocorrem secas mais pronunciadas, porém, muitos deles podem ficar presos em lagos e meandros de rio, rasos demais, e então são capturados à pé e mortos a pauladas ou por asfixia, com pequenos pedaços de madeira introduzidos (e até martelados) nas narinas. Na venda clandestina de carne de peixe boi, nos mercados amazônicos, o preço do quilo está em torno de R$ 1,00 para o caçador e é possível comprar ?de encomenda?. Impactos da ausênciaSegundo informa o assessor do Ibama, Jaime Gesisky, que participa da expedição, a ausência do peixe boi em lagos e igarapés da Amazônia pode provocar desequilíbrios no ecossistema aquático, alterando o ciclo de vida nas florestas inundadas (igapó) e depressões com vegetação herbácea (como os zaruzaruzais). ?Sem saber, o ribeirinho contribui para o empobrecimento da sua fonte de sobrevivência, eliminando um dos principais agentes da cadeia alimentar do meio aquático?, relata. Herbívoro, o peixe boi se nutre das plantas aquáticas (aguapés, murerus e outros capins), consumindo até 20 quilos por dia. Sem seu pastejo, o crescimento excessivo das plantas pode impedir a passagem da luz e interferir na reprodução e condições de vida dos peixes, dos quais se alimentam os ribeirinhos.O peixe boi também fornece nutrientes, através das fezes, aproveitados por fitoplânctons (algas minúsculas) e zôoplanctons (larvas de peixe e crustáceos), seres que estão na base da cadeia alimentar dos rios e cuja queda de produtividade pode afetar toda a vida aquática.

Agencia Estado,

30 de agosto de 2002 | 12h31

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