Ibama diz que acidente ambiental em Uberaba é grave

O gerente-executivo do Ibama em Minas Gerais, Roberto Messias Franco, disse hoje que as primeiras informações indicam que o descarrilamento de uma composição da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), na zona rural de Uberaba, no Triângulo Mineiro, provocou um "acidente ambiental grave". Segundo comunicado da empresa, com o acidente, ocorrido por volta das 3h desta madrugada, no quilômetro 1034 da ferrovia, 18 vagões tombaram e pegaram fogo. Ao todo, eles transportavam mais 860 mil litros de produtos químicos. O incêndio foi controlado no final da manhã. Ninguém ficou ferido.De acordo com Franco, cerca de 40% do conteúdo dos vagões atingiram a área de preservação permanente e o córrego Congonhas, um afluente do rio Uberaba. O fornecimento de água para a cidade, que possui cerca de 250 mil habitantes, foi interrompido.O gerente-executivo do Ibama-MG disse que, no início da tarde, os técnicos do instituto que estavam no local constataram que uma mancha de produtos químicos podia ser vista a cerca de quatro quilômetros do local do derramamento.Na nota divulgada à imprensa, a FCA informou que "cinco dos vagões tombados carregavam 245 toneladas de octanol; oito vagões transportavam 381 toneladas de metanol; dois vagões, 94 toneladas de isobutanol e três vagões, 147 toneladas de cloreto de potássio".Segundo Franco, todas são substâncias químicas "tóxicas e inflamáveis". "São substâncias solúveis em água, o que vai dificultar a identificação dos danos causados", acrescentou. Ele disse que o Ibama irá investigar o destino da carga, mas que a transportadora é responsável pelo dano ambiental. O gerente-executivo afirmou que a FCA deverá ser multada com base na lei de crimes ambientais. O valor máximo da punição, segundo ele, é de R$ 10 milhões.Em seu comunicado, a empresa disse que "imediatamente após a ocorrência", a equipe de Segurança Patrimonial da FCA, juntamente com a Gerência de Meio Ambiente, acionou a Polícia Ambiental, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e a empresa de abastecimento de água de Uberaba. "Todas as providências necessárias ao controle da situação foram adotadas", informou a ferrovia, que é controlada pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).

Agencia Estado,

10 de junho de 2003 | 18h27

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