Ibama estuda substituto para o amianto na construção civil

O Laboratório de Produtos Florestais (LPF) do Ibama está pesquisando uma alternativa para o uso do amianto (ou asbestos) na construção civil. O material substituto é produzido com fibras de resíduos de madeiras reflorestadas, como o pinus e o eucalipto, além do cipreste e de papelão reciclado do lixo, colados ao cimento. Considerado cancerígeno, o amianto é um mineral cujo uso já foi banido em cerca de 35 países e alguns estados e municípios brasileiros, incluindo São Paulo, onde seu uso está proibido em obras municipais desde a semana passada.O ?amianto vegetal? poderá ser usado em chapas de fibrocimento na fabricação de telhas, divisórias, chapadas para pias, fachadas e caixas d?água, segundo o engenheiro florestal Divino Eterno Teixeira, responsável pelo projeto. ?As chapas com fibras alternativas de celulose de madeira são fabricadas desde a década passada, nos países onde o amianto está proibido. No entanto, são fabricadas apenas a partir do pinus radiata, nativo da Nova Zelândia, inexistente no Brasil?, explica Teixeira, que acaba de voltar dos Estados Unidos, onde fez doutorado na área de fibrocimento.?Estamos ainda montando nosso laboratório para estudar as características de chapas de fibrocimento usando fibras de espécies brasileiras de reflorestamento e de fibras recicladas. As pesquisas devem estar concluídas em um ano, pois temos que preparar a polpa de fibras, produzir as chapas de fibrocimento, deixá-las secar (o que leva uns 28 dias) e realizar todos os ensaios de resistência das chapas com cada tipo de fibra estudada?, diz o engenheiro do LPF.Para cozinhar os resíduos de madeira e obter a fibra, o pesquisador usa o processo ?kraft?, que elimina os elementos químicos inibidores do endurecimento do cimento, garantindo-lhe qualidade e ao mesmo tempo afastando os riscos para a saúde humana. ?A celulose kraft - usada pela indústria de papel e celulose - é a matéria-prima mais indicada para substituir o amianto mineral, por apresentar alta estabilidade e boa resistência à umidade?, diz.Segundo Teixeira, a grande vantagem da fibra vegetal é a questão ambiental. ?Quanto ao custo, ainda não temos dados para fazer esta análise, mas acredito que se for usada a fibra virgem o custo deverá ser inicialmente maior do que o do amianto. Mas se a fibra usada for reciclada (fibra de papel ou papelão), o custo será menor?, explica.Os resultados do trabalho serão divulgados e publicados em revistas brasileiras da área florestal. O Ibama tem interesse, ainda, em fazer parcerias para desenvolver a parte de produção comercial do novo produto.

Agencia Estado,

19 de março de 2002 | 14h29

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