Ibama flagra derrubada de 90 mil árvores no Pará

Tratores e correntes estavam sendo utilizados por empregados da fazenda Flor da Mata, em Sapucaia, no sul do Pará, para derrubar a floresta e transformá-la em pasto quando foram flagrados por uma equipe de fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A devastação atingiu cerca de 90 mil árvores numa área equivalente a 300 campos de futebol.O chefe da fiscalização do Ibama na região, Norberto Neves, disse que metade da área de floresta da fazenda já foi derrubada, quando a legislação ambiental só permite 20%. "Foi graças ao barulho das máquinas que conseguimos chegar onde as árvores eram abatidas", contou Neves.Ele informou que o proprietário da fazenda, que não foi encontrado para receber a multa aplicada, terá de pagar R$ 450 mil por desmatamento ilegal. Também será processado com base na lei de crimes ambientais e poderá, se condenado, pegar de três meses a um ano de prisão.Os tratores e uma espingarda encontrada com um dos empregados foram apreendidos. Segundo Neves, o fazendeiro não tinha nenhuma autorização do Ibama para fazer o que fez. "Ele simplesmente estava destruindo a floresta". Um dos empregados, que não quis se identificar, revelou que recebia R$ 100 por cada hora trabalhada.A fazenda Flor da Mata foi uma das primeiras no Pará a registrar caso de trabalho escravo. O fazendeiro Luiz Pereira Martins, conhecido na região por Luís Pires, chegou a ser ameaçado pelo governo federal de ter a propriedade confiscada. Pires também recebeu incentivos fiscais da extinta Sudam para criar gado e expandir seus negócios.

Agencia Estado,

13 de julho de 2005 | 20h07

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