Ibama incentiva criação em cativeiro

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vem incentivando a criação em cativeiro de animais silvestres para abastecer o mercado interno desde meados da década de 90. Segundo gerente executivo do Ibama em São Paulo, Wilson Almeida Lima, a criação comercial de psitacídeos é liberada. ?É o mesmo princípio dos criadores de jacarés, tartarugas e capivaras para abastecer restaurantes?.Um levantamento realizado na cidade de Manaus, no Amazonas, mostrou que em 67% das residências existe um ou mais animais da fauna silvestre em cativeiro. São, principalmente, araras, papagaios, maritacas e pequenos primatas, mas também existem muitos felinos de pequeno porte - sobretudo gatos-maracajá - e serpentes - com a jibóia liderando as estatísticas. Esses números variam, mas o costume persiste em todo o País.A perspectiva de punição pode inibir o tráfico, mas deixa as duas pontas do comércio ilegal de fauna nativa ainda no vácuo. De um lado, os donos dos animais de estimação continuam com seus mascotes, continuam sustentando o tráfico. Nem sempre são punidos, porque não há como apreender animais em mais da metade das residências de uma cidade, mas também não conseguem regularizar sua situação.?Um projeto como o Amazon Birds está cumprindo uma das premissas que defendemos para evitar o contrabando e tráfico de animais, alimentado pela retirada criminosa da natureza. Possui registro no Ibama como criatório conservacionista e comercial?, diz Lima. O gerente do Ibama acredita que estudos sobre reprodução dessas aves pode ajudar a reverter casos de espécies ameaçadas, que podem vir a ser reintroduzidas na natureza. Lima informa que os animais em cativeiro só podem ser comercializados a partir da segunda geração. ?Para conseguir os animais, os criadores podem comprar excedentes de zoológicos e outros criadouros ou receber animais apreendidos pelo Ibama e pela Polícia Ambiental, que podem ser reintroduzidos na natureza.?Segundo Lima, ?existem outras lojas que comercializam papagaios legalmente em São Paulo, mas não com esse grau de requinte, que inclui a conscientização do comprador?. O gerente diz que o Ibama tem como fiscalizar e garantir a procedência desses animais. Atualmente, a Câmara Técnica de Fauna do Ibama discute as regras para a criação de animais de estimação. ?A tendência é que apenas animais que envolvam perigo direto, como cobras e aranhas, por exemplo, não tenham a comercialização permitida?.Para o consumidor se certificar que está comprando um animal legalizado, ele deve observar se o estabelecimento oferece nota fiscal e obriga o comprador a preencher um cadastro. Além disso, o animal deve estar identificado através de anilha ou microchip. Na dúvida, deve consultar a Linha Verde do Ibama (0800-618080 ou linhaverde@sede.ibama.gov.br)

Agencia Estado,

24 de setembro de 2002 | 13h18

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