Ibama inicia restauro da primeira represa do Brasil

Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) iniciaram ontem as obras de restauração da primeira represa do Brasil, construída na Fazenda Ipanema, em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo. A restauração deve ser concluída em três semanas. O nível da represa, no entanto, só voltará ao normal com as chuvas de verão. Erguida em 1811 pelo sueco Carl Hedberg, suas águas eram usadas para movimentar as máquinas da antiga Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema, também a primeira siderúrgica brasileira. A vazão, regulada por comportas, movimentava rodas d´água de diferentes dimensões, que acionavam as máquinas. Todo o conjunto é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas está em estado precário de conservação. Uma cratera surgida na base da represa estava solapando a construção histórica. A diretora da Floresta Nacional de Ipanema (Flona), Ofélia Gil Willmersdorf, optou por iniciar uma recuperação de emergência, com recursos do próprio Ibama, órgão responsável pela administração do patrimônio. A restauração está sendo acompanhada pelo arquiteto José Saia Neto, do Iphan, e pelo engenheiro geotécnico Newton Bitencourt Santos, da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). O reservatório da represa foi esvaziado para possibilitar os trabalhos. A cachoeira, localizada junto da Casa das Armas Brancas, no centro histórico da vila de Ipanema, deixou de jorrar água. A queda d´água é alimentada pelo evasor da represa, que está seco. A Real Fábrica de Ferro funcionou de 1811 a 1895 e produziu canhões e munições utilizados pelo exército brasileiro durante a Guerra do Paraguai. O sistema de comportas concebido por Hedberg regulava o volume de água numa rede de canais que completava o sistema de energia mecânica.

Agencia Estado,

02 de julho de 2002 | 10h47

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.