Ibama intervém em três escritórios na Bahia

Uma comissão formada por técnicos e procuradores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) inicia segunda-feira a apuração de uma série de denúncias feitas por ambientalistas do sul do Estado contra funcionários de três escritórios do órgão, nos municípios de Ilhéus, Eunápolis e Teixeira de Freitas. Os funcionários estariam autorizando a extração irregular de madeira da Mata Atlântica na região, o que foi suspenso pelo Ministério do Meio Ambiente há vários meses, para preservar o pouco que resta de vegetação nativa na Bahia.O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Humberto Candeias Cavalcanti, coordena a comissão e hoje já estava em Eunápolis para preparar o início das investigações. "Todos que estiverem envolvidos na denúncia e que puderem prejudicar as investigações vão ser afastados de imediato", disse, explicando que se forem comprovadas as denúncias os responsáveis serão punidos. De acordo com integrantes de organizações não-governamentais que lutam pela preservação da Mata Atlântica, os fiscais do Ibama vinham autorizando fazendeiros, flagrados e multados por provocar desmatamentos e queimadas, a extrair madeira de árvores nobres em reservas protegidas pela Legislação Ambiental, como o Parque do Descobrimento, em Porto Seguro. "Além disso, o Ibama do sul da Bahia nunca agiu de forma conveniente, raramente pune os agressores da natureza, o que permite o alastramento da devastação no sul e extremo-sul da Bahia", reclamou José Augusto Tosado, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo-Sul da Bahia (Cepedes). Ambientalistas que classificam como "má atuação" o trabalho do Ibama na região entregaram um dossiê com várias denúncias ao ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, que prometeu apurar o caso num prazo máximo de 60 dias.

Agencia Estado,

25 de janeiro de 2002 | 18h57

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