Ibama não fiscaliza Reserva da União por falta de recursos

Apesar de abrigar 130 micos-leões-dourados, uma das maiores populações silvestres da espécie no Brasil, a Reserva Biológica da União, nabaixada litorânea do Rio, não é fiscalizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), segundo o analista ambiental do parque, Gustavo Luna Peixoto.Ele acredita que a falta de controle tenha facilitado o incêndio que, durante o carnaval, destruiu 15 hectares de mata atlântica, o equivalente a 15 campos de futebol. Peixoto acha que caçadores de animais podem ter provocado ofogo.Escassez de recursosO analista ambiental disse que o parque, que fica entre os municípios de Rio dasOstras e Casimiro de Abreu, conta apenas com o trabalho de quatro fiscais cedidos pelaReserva de Poço das Antas, na cidade de Silva Jardim, que fica distante 30quilômetros. Eles vão até lá uma vez por mês, ficam uma semana e depois vão embora.?A reserva existe desde 1998 e nunca teve fiscal do Ibama. Assim fica complicado?, disse Peixoto, que trabalha na União há três meses e, neste período, já enfrentou dois incêndios ? o do carnaval e um no fim de novembro do ano passado, quando dez hectares foram devastados. A área total é de 3.126 hectares.O gerente do Ibama no Rio, Carlos Henrique Abreu Mendes, confirmou que não há fiscais suficientes. O Estado do Rio só dispõe de 90, que têm de cobrir as quinze unidades de conservação e a sede do órgão, na capital. ?É muito pouco. Mas não é má vontade, é escassez de recursos?, disse o gerente.Ele espera que sejam chamados mais servidores que passaram no concurso do Ibama realizado no ano passado. Dos 610 que foram contratados, somente cinco vieram para o Rio, segundo Mendes. ?Estamos lutando. Enquanto isso, contamos com a colaboração do Batalhão Florestal e do Corpo de Bombeiros.?AnimaisO incêndio na União começou na segunda-feira e foi controlado nesta quarta. Atingiu mais a vegetação rasteira e não matou os animais, que se refugiaram na parte de cima das árvores,informou Peixoto. Além do mico-leão-dourado, habitam a região exemplares de macaco-barbado, preguiça-de-coleira, jaguatirica, jacaré-de-papo-amarelo, lontra e surucucu-pico-de-jaca.O analista ambiental acredita que caçadores de animais tenham iniciado o fogo, que se alastrou pela área que divide a reserva e a fazenda Três Marias.

Agencia Estado,

06 de março de 2003 | 17h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.